Retrospectiva: o dia em que bolsonaristas invadiram a Mesa Diretora
O movimento foi uma resposta à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, que foi decretada por Alexandre de Moraes, do STF
Integrantes da oposição ao governo Lula se inspiraram no Movimento Sem Terra (MST) e, em 5 de agosto, ocuparam cinco lugares da Mesa Diretora da Câmara.
O movimento foi uma resposta à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, que foi decretada por Alexandre de Moraes, do STF. Antes, Bolsonaro já havia sido alvo de outras cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A ideia dos bolsonaristas era pressionar o presidente da Casa a pautar o projeto de Lei da Anistia que beneficiaria tanto os réus do 8 de janeiro quanto o ex-presidente da República. A ocupação durou menos de uma semana.
Durante esse período, os deputados federais bolsonaristas chegaram a tomar café da manhã na Mesa Diretora da Câmara, com pão de queijo, conforme vídeo publicado por Gustavo Gayer (PL-GO), um dos presentes.
“A batalha não para. Sete e meia da manhã, guerreiros amanhecendo aqui no plenário, e obviamente tem que vir um cafezinho da manhã. Coisa chique, isso aqui é cinco estrelas”, falou na gravação, em tom de brincadeira.
No vídeo, foi possível ver também Carlos Jordy (PL-RJ), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Alberto Fraga (PL-DF), o líder da oposição na Casa, Luciano Zucco (PL-RS), e outros deputados.
“Foi uma noite muito difícil, não foi fácil. Tá um frio enorme aqui, eu vim sem blusa agora, mas estamos fazendo isso pelo Brasil”, afirma Gayer.
A ocupação da Mesa Diretora, curiosamente, fez parte de um pacote de medidas chamadas de “pacote da paz”, com propostas que os bolsonaristas consideraram, naquele momento, prioritárias no Parlamento e poderiam melhorar a relação entre os Poderes.
Entre as medidas estavam o impeachment de Moraes, o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado de parlamentares. Esta última, apelidada de PEC da Blindagem, foi derrubada por determinação do Senado.
A ocupação terminou apenas após mediação do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. A desocupação foi um dos momentos mais constrangedores da administração Motta em 2025. Houve até deputado, como Marcel Van Hatten, que não deixou Motta sentar na própria cadeira.