Defesa de Bolsonaro classifica como “confusão mental” tentativa de abrir tornozeleira
O ministro do STF Alexandre de Moraes concedeu o prazo até às 16h30 deste domingo para que o ex-presidente prestasse esclarecimentos
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, neste domingo, 22 à tarde, que o episódio registrado pelo sistema de monitoramento — que apontou violação da tornozeleira eletrônica na madrugada de sábado — não representou tentativa de rompimento ou retirada do equipamento, mas resultado de um quadro de “confusão mental” provocado pela interação de medicamentos.
Em manifestação encaminhada neste domingo, os advogados dizem que o relatório da Secretaria de Administração Penitenciária registrou alerta às 00h07 e que, em seguida, o ex-presidente acolheu a troca da tornozeleira eletrônica. Além dos esclarecimentos, a defesa do ex-presidente reforçou pedido de prisão domiciliar humanitária.
A defesa sustenta ainda que o vídeo anexado pela autoridade penitenciária mostra Bolsonaro afirmando ter usado um “ferro quente” na tampa da tornozeleira, mas sem danos à pulseira, e com fala “arrastada e confusa”.
“Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela SEAP, narra uma tentativa de fuga ou de desligamento da tornozeleira eletrônica. Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico e que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos ingeridos pelo Peticionário, sua idade avançada e o estresse a que está inequivocamente submetido”, argumentam os advogados.
O ministro do STF Alexandre de Moraes concedeu o prazo até às 16h30 deste domingo para que o ex-presidente prestasse esclarecimentos sobre o episódio.
Durante a audiência de custória, o ex-presidente declarou que sofreu uma “certa paranoia” quando usou ferro de solda para queimar a caixa da tornozeleira eletrônica na madrugada do sábado, 22.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (pregabalina e sertralina); que tem o sono ‘picado’ e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento“, diz o termo de audiência de custódia, em que o ministro do STF Alexandre de Moraes aparece como relator.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia“, segue o documento.
“O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite. Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação.”
Escuta na tornozeleira
“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão.”
Bolsonaro pôde encontrar-se com os advogados antes de falar com a juíza auxiliar, por videoconferência.
“O depoente afirmou que não houve rompimento da cinta. Afirmou, ainda, que havia rompido anteriormente a cinta em uma ocasião em que precisou realizar uma tomografia. Sobre a vigília convocada por seu filho, afirmou o depoente que o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga“, diz o documento.
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Comentários (3)
Maglu Oliveira
23.11.2025 17:54Coitados dos advogados! Estudam tanto para depois procurarem desculpas esfarrapadas para seus clientes. Será que essa que ele deu está incluída no pacote que ele acertou com Bolsonaro ou custa extra? Tive um advogado que por cada vírgula mudada ele mandava uma fatura em separado. Mas como a idéia foi do próprio cliente talvez saia mais barato.*** Um recadinho para os bolsonaristas: repensem seu "mito", é um tipo que tem alucinações, uma "certa paranóia" enfim confusão mental é quem vcs querem para dirigir o país? Sem mim.
Annie
23.11.2025 17:05A ta eu acredito rsrsrs
Fabio B
23.11.2025 17:00Muito patético