Uma criatura gelatinosa pode ter sido o primeiro animal do planeta
Evidências químicas em sedimentos antigos apontam para organismos primitivos e simples
A hipótese de que as esponjas marinhas foram os primeiros animais na Terra intriga cientistas devido a suas características primitivas. Evidências químicas encontradas em rochas antigas com mais de 541 milhões de anos reforçam essa teoria, indicando que essas criaturas simples e gelatinosas podem ter sido as pioneiras na longa história da vida animal no planeta.
As esponjas marinhas se destacam como fortes candidatas para esse papel por diversas razões. Estudos revelaram fósseis químicos, ou seja, moléculas preservadas em sedimentos, que contêm esteranos C30 e C31. Esses compostos são praticamente exclusivos das esponjas demospongas modernas, sugerindo que seus antepassados habitavam o oceano durante o período Ediacarano. Esse era um momento anterior à explosão de vida complexa, evidenciado por registros evolucionários.
Por que as esponjas marinhas são candidatas a serem os primeiros animais?
A presença de biomarcadores específicos, como os esteranos, em rochas antigas aponta para a existência de esponjas há milhões de anos. Essas moléculas preservadas indicam que as esponjas podem ter sido algumas das formas de vida mais antigas e simples a habitar os oceanos. Elas filtravam água para obter alimento e sobreviviam em ambientes marinhos desprovidos de estruturas complexas, como ossos e nervos.
Além disso, a antecipação dessas formas simples antes da explosão Cambriana sugere um longo período dominado por organismos básicos. Isso implica que a complexidade evolutiva observada posteriormente emergiu de um ponto inicial de simplicidade extrema, pavimentado por esponjas e semelhantes.

Como os pesquisadores confirmaram a origem biológica dessas moléculas?
Para esclarecer a natureza dessas moléculas e descartar hipóteses geológicas, cientistas embarcaram em um estudo rigoroso. Eles analisaram os esteróis de esponjas vivas, sintetizando variantes em laboratório para recriar o ambiente químico de eras passadas. Apenas algumas moléculas sintetizadas foram idênticas aos esteranos antigos, fortalecendo a teoria de um registro molecular deixado pelas esponjas.
Essa metodologia, combinando estudos de rocha, organismos vivos e química laboratorial, oferece uma base sólida para sustentar que as esponjas realmente marcaram sua presença nas eras antediluvianas. Contudo, a ciência continua explorando mais nuances e detalhes nesse campo fascinante.

Essas descobertas mudam nossa compreensão da evolução animal?
A revelação de que esponjas simples podem ter sido os primeiros animais reconfigura a percepção da origem da vida animal. Indica que essa complexidade e diversidade evolutiva começaram de forma modesta, influenciando toda a linha do tempo posterior. Implica, portanto, em uma pré-Cambriana longa, onde formas simples dominavam.
Assim, a hipótese de que a explosão Cambriana trouxe uma multiplicidade de formas de vida parece ser precedida por uma era silenciosa de vida simplificada. Essas descobertas são essenciais para entender melhor a evolução dos seres vivos, proporcionando novas perspectivas sobre a origem dos animais.
Há controvérsias ou outras teorias sobre os primeiros animais?
Embora o estudo recente reduza a possibilidade de uma origem não biológica para os esteranos encontrados, ainda existem debates. Alguns cientistas questionam seus achados e outros apontam para fósseis bem mais antigos, como supostas esponjas de 890 milhões de anos, alimentando as discussões sobre suas verdadeiras origens.
Para avançar nesse campo, os pesquisadores planejam novos estudos, incluindo a coleta de rochas em diferentes regiões e o uso de técnicas químicas inovadoras. Este esforço visa identificar moléculas ainda mais antigas e criar uma cronologia mais detalhada do surgimento da vida animal.
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