Otan espera cessar-fogo para negociar com a Rússia
Embaixadores de França e Canadá defendem perspectiva de Kiev e alertam que propostas de paz parecem marginalizar aliados ocidentais
Representantes da França e do Canadá, países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entendem que qualquer negociação para encerrar o conflito na Ucrânia depende de uma interrupção imediata dos bombardeios russos, e defendem que a discussão precisa incorporar o ponto de vista ucraniano e europeu. A posição surge em meio às primeiras manifestações sobre um plano de paz que teria sido esboçado pelos Estados Unidos e pela Rússia.
O embaixador francês, Emmanuel Lenain, ressaltou a premissa de que a Rússia deve cessar as hostilidades antes de qualquer mesa de diálogo: “O primeiro passo é um cessar-fogo, e cabe à Rússia parar. Não se pode negociar com uma arma na cabeça”. Lenain disse ainda que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, aceita, “apesar de tudo, um cessar-fogo incondicional”.
Pressão sobre a Ucrânia e exigências do plano
O plano de paz em debate, que teria 28 pontos, reproduz em grande parte demandas russas e oferece poucos detalhes sobre garantias de segurança a Kiev. O documento resultou em intensa pressão sobre o governo ucraniano. Zelenski indicou que pode ser obrigado a fazer uma escolha entre manter sua “dignidade ou arriscar perder um grande aliado”, referindo-se aos EUA, e disse que é um dos momentos “mais difíceis da nossa história”.
Segundo o esboço vazado, a Ucrânia perderia porções de seu território, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, e as regiões completas de Lugansk e Donetsk. Além das perdas territoriais, o país teria de reduzir seu contingente militar do efetivo atual de quase um milhão para 600 mil soldados. O plano determina que Kiev realize eleições em cem dias e altere sua Constituição para proibir futura adesão à Otan.
O ditador russo, Vladimir Putin, manifestou prontidão para a paz, contanto que haja “discussão substancial de todos os detalhes do plano proposto”.
Reintegração ao G7 e apoio aliado
Uma proposta específica sugere a reintegração da Rússia ao G7, do qual foi expulsa em 2014 após a invasão da Crimeia. De acordo com a sugestão, a Crimeia, cuja devolução era uma demanda inegociável de Kiev, passaria a ser reconhecida como russa. Lenain indicou que o eventual retorno da Rússia “é algo que precisa ser discutido com os países do G7”.
Apesar de considerarem algumas propostas “especulativas” e debatidas apenas “nos bastidores”, os diplomatas apoiam a iniciativa americana de buscar um término para o conflito. O embaixador canadense, Emmanuel Kamarianakis, reforçou a meta: “Queremos assegurar, como aliados da Otan e parceiros do G7, no caso de Canadá, França e EUA, que continuemos a apoiar uma forma de os ucranianos encerrarem essa guerra de um modo que eles também sejam parte do processo de negociação”.
Questionados sobre abordagens que buscam um ponto de equilíbrio entre as partes, como a postura brasileira de solicitar diálogo, o embaixador francês criticou a premissa. Ele argumentou que, quando você tem “um agressor e um país que é agredido sem qualquer razão ou provocação”, o pedido por um meio-termo acaba por tomar “o lado da Rússia”.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
21.11.2025 20:09Trump é um bom exemplo de “dirty negotiator” (negociador sujo), que só se importa em satisfazer as necessidades do seu ego inflado. Volúvel e nada confiável.