Jovens mulheres e imigrantes fizeram a diferença na eleição em Nova York
Primária democrata definiu a disputa e consolidou força progressista em cidade dominada pelo partido
A eleição para prefeito de Nova York foi decidida por jovens mulheres e imigrantes.
Com os dados consolidados, nada menos que 84% das mulheres de 18 a 29 anos e 81% dos imigrantes com até 10 anos de residência em Nova York votaram em Zohran Mamdani.
Essa base garantiu vantagem em bairros densos e progressistas e confirmou que a decisão real ocorreu meses antes, na primária do Partido Democrata.
Nova York é território amplamente democrata. A Junta Eleitoral da cidade registra 5,9 milhões de eleitores, cerca de 70% filiados ao Partido Democrata. Republicanos somam entre 15% e 20%, e independentes entre 10% e 15%.
Nesse ambiente, a primária de 24 de junho funcionou como a eleição de fato.
A participação foi recorde para uma disputa municipal. Segundo o NYC Votes, 1,1 milhão de pessoas votou, o que equivale a 29,9% do eleitorado registrado.
Entre os jovens de 18 a 29 anos, a taxa chegou a 35,2%, o dobro da eleição anterior. Novos eleitores participaram em massa, superando os mais antigos.
O confronto decisivo foi interno ao Partido Democrata. O candidato socialista venceu por 56,4%, contra 43,6% dos votos para o ex-governador Andrew Cuomo.
Pesquisas indicavam vantagem de Cuomo até poucas semanas antes. A virada veio com produção intensa de vídeos curtos, presença constante em redes sociais e mobilização de rua.
Cuomo é um ex-governador que renunciou em 2021 após investigação da procuradoria-geral de Nova York concluir que ele assediou 13 mulheres, conclusão confirmada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Em entrevistas, o ex-governador admitiu erro estratégico ao dizer “não me envolvi nas rede sociais, o TikTok deles foi melhor”.
A campanha vencedora construiu sua mensagem em torno da ideia de tornar Nova York mais “acessível”.
As principais propostas incluíram congelamento de aluguéis, transporte gratuito e creches universais. A execução depende de aprovação do governo estadual e da governadora Kathy Hochul.
O voto imigrante também foi determinante: 38% dos nova-iorquinos nasceram fora dos Estados Unidos, mais de 3 milhões de pessoas.
Entre os recém-chegados, que representam 14% do eleitorado, o apoio foi massivo. Vídeos em vários idiomas e ações em bairros como Queens e Brooklyn foram decisivos..
A eleição novaiorquina é simbólica, mas não necessariamente replicável no resto do país.
Apenas quatro estados concentram a maioria dos eleitores naturalizados, e no meio-oeste eles são minoria.
Fora das grandes metrópoles, jovens tendem a posições mais moderadas e conservadoras, especialmente homens.
Nova York funcionou como laboratório do progressismo radical, mas segue como um caso isolado no mapa eleitoral americano.
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Comentários (2)
Annie
06.11.2025 16:42Vão se arrepender.
Mariade
06.11.2025 11:47A maioria dos eleitores então não viveu na pele os horrores do 11 de setembro de 2001.