Opositor cubano elogia parceria dos EUA com a Igreja Católica em ajuda humanitária
José Daniel Ferrer foi recebido por Marco Rubio, em Washington, após asilo concedido pelo governo Trump
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reuniu-se nesta quarta-feira, 5, em Washington, com o líder da oposição cubana, José Daniel Ferrer, para discutir a situação política e humanitária em Cuba.
Em nota, o Departmento de Estado destacou a “coragem e resiliência” de Ferrer diante da opressão promovida pelo regime de Miguel Díaz-Canel e informou que o opositor enfatizou “a importância de que a ajuda americana chegue diretamente à população, em parceria com a Igreja Católica”, sem intermediação do governo cubano.
“Hoje, o Secretário de Estado Marco Rubio conversou com José Daniel Ferrer após sua chegada aos Estados Unidos vindo de Cuba. O Secretário expressou sua admiração pela coragem e resiliência de Ferrer diante da opressão do regime cubano, das ameaças à sua vida e do tratamento brutal que ele e sua família sofreram. Eles discutiram como o furacão Melissa agravou o sofrimento da população do leste de Cuba e Ferrer ressaltou a importância do esforço dos EUA em fornecer assistência diretamente à população em parceria com a Igreja Católica, em vez de se aliar ao regime.
O Secretário Rubio reafirmou o compromisso dos Estados Unidos em apoiar a busca do povo cubano por democracia, prosperidade e liberdades fundamentais. Ele enfatizou que a atuação de José Daniel Ferrer e de outros dissidentes políticos como ele continua sendo crucial para o movimento pró-democracia na ilha e prometeu apoio contínuo dos EUA aos esforços para promover a responsabilização pelos abusos de direitos humanos cometidos pelo regime cubano”, diz o comunicado divulgado no site.
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Asilo
Ferrer e sua família chegaram em 13 de outubro aos Estados Unidos
Todos receberam asilo político.
O subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, afirmou que o país “tem orgulho de oferecer refúgio” a Ferrer.
O governo Trump exigiu ainda a libertação de mais de 700 presos políticos cubanos.
“(…) urge à comunidade internacional que se juntem aos EUA pela responsabilização do regime cubano pelos abusos e influência maligna em nossa região”.
Prisão e saída negociada
A chegada de Ferrer ocorre após sua irmã, Ana Belkis Ferrer, anunciar na semana passada que ele havia decidido aceitar o exílio para proteger sua família.
O opositor lidera a organização União Patriótica de Cuba (UNPACU), uma das principais frentes de resistência ao regime de Miguel Díaz-Canel.
Em janeiro, Ferrer chegou a ser libertado após um acordo entre Havana e Washington mediado pelo Vaticano.
No entanto, o regime cubano revogou sua soltura em abril e ele voltou à prisão.
A nova libertação de Ferrer foi concretizada após uma negociação entre autoridades americanas e cubanas.
Tortura e maus-tratos
Antes de deixar o país, Ferrer escreveu uma carta da prisão em que relatava as torturas sofridas.
No texto, o opositor ressaltava que havia aceitado o exílio para proteger a família, mas destacou que não abrirá mão da dignidade.
Ele também critica a desunião e o sectarismo da oposição cubana, dizendo que perdeu a fé em parte dela, mas segue acreditando nos “bons combatentes” que permanecem.
O opositor conclui o texto afirmando que está “pronto para morrer, mas não para viver sem honra e sem dignidade”.
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