CPI do Crime Organizado: governo vence 1º round, mas teme perder a guerra
Tanto o presidente do colegiado, Fabiano Contarato, quanto o relator, Alessandro Vieira, já indicaram que não irão blindar o Planalto
Aparentemente o governo Lula venceu o primeiro round da CPI do Crime organizado, ao conseguir emplacar o presidente do colegiado, o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Mas isso não significa que o Planalto vencerá a guerra. Muito pelo contrário. Em uma investigação que irá até às vésperas do período eleitoral, os danos para o governo Lula são incalculáveis.
O próprio relator pretende blindar o governo. Apesar de ser filiado ao PT e de ter Lula como seu principal líder, Contarato não é visto pelos próprios integrantes do partido como o membro mais fiel da sigla.
O parlamentar é advogado, professor de Direito Penal e Processual e atuou como delegado por 27 anos. Em várias investigações e/ou intervenções sensíveis ao Palácio do Planalto, Contarato se manifestou contra os interesses do Planalto. O exemplo mais recente foi justamente a CPMI do INSS. Enquanto a bancada do PT resistia à investigação, Contarato foi o primeiro a endossar o pedido de investigação sobre o roubo de aposentadorias.
“Eu acho que passou da hora do campo progressista entender que a pauta da segurança pública não é exclusiva da direita ou do movimento conservador. Passou da hora da gente falar em segurança pública de forma mais propositiva, o resultado para a população”, disse o parlamentar após ter sido eleito presidente do colegiado.
Até mesmo integrantes da oposição reconhecem que Contarato, apesar de ser um aliado de Lula, pode, durante as investigações, trazer constrangimentos ao Planalto. “Antes de ser petista, Contarato vai honrar a sua história na investigação. Não vejo ele blindar integrantes do governo. Ainda mais em um tema dessa magnitude”, disse o senador Espiridião Amin (PP-ES), em rápida conversa com este portal nesta terça-feira.
O Planalto tem maioria na investigação, mas o relator é Alessandro Vieira (MDB-SE). Outro ex-delegado de política e extremamente respeitado entre seus pares. Por sua atuação historicamente imparcial e sem pirotecnias, Vieira tende a conduzir essa investigação sem olhar para lado A ou B. E isso pode complicar a vida do Palácio do Planalto.
“Merecerá especial atenção o acelerado ingresso da criminalidade organizada nos mercados aparentemente lícitos. Esse fenômeno, que é conhecido academicamente como ‘novos ilegalismos’, torna o combate à criminalidade algo muito mais complexo, considerando que a penetração do crime em setores econômicos lícitos envolve diversos atores, como contadores, advogados, bem como a criação de empresas de fachada para a lavagem de dinheiro”, pontuou o congressista em seu plano de trabalho.
Os primeiros convites já dão um spoiler sobre a atuação de Vieira. Foram aprovados sete requerimentos, todos de autoria do parlamentar.
Assim vão comparecer para prestar depoimento os governadores dos estados mais seguros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal) e seus secretários de Segurança. Também devem comparecer ao colegiado os governadores e secretário do Rio de Janeiro e de São Paulo, por causa da atuação de facções nesses estados, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, respectivamente.
Em relação ao governo federal, a CPI aprovou o convite ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; ao ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho; ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Augusto Passos Rodrigues. Por óbvio, os depoimentos destes personagens podem escancarar a leniência do Planalto sobre as políticas de combate às organizações criminosas.
E aí é que corre o risco para o governo federal. É aguardar para ver.
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
07.11.2025 11:30Quem não deve não teme.