Mais um jornalista é sequestrado na Venezuela de Maduro
Joan Camargo, especializado em notícias criminais, está desaparecido há; família exige esclarecimentos
O jornalista venezuelano Joan Camargo está desaparecido após ser interceptado por homens encapuzados ao deixar sua residência em Cotiza, na capital Caracas. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), a abordagem ocorreu na quinta-feira, 30 de outubro, quando o repórter saía em sua motocicleta. Até agora, não há notícias sobre o paradeiro do repórter.
Família exige libertação imediata
A família de Joan Camargo deu entrada no domingo, 3, em um recurso de habeas corpus perante a justiça do país.
A representação do profissional alega que o caso se configura como um ‘desaparecimento forçado’. A ausência de informações oficiais sobre sua situação legal e localização permanece, mesmo após três dias da interceptação.
Na sexta-feira, os familiares buscaram informações em seis centros de detenção na capital, Caracas, mas em todos os locais as autoridades negaram a custódia do jornalista. Até o momento, o regime e a Procuradoria-Geral não reconheceram a detenção.
O habeas corpus foi impetrado para exigir a apresentação do profissional aos tribunais, e a legislação local estipula que este recurso deve ser resolvido prioritariamente. A família expressou sua profunda apreensão e reivindicou o respeito às garantias constitucionais.
Os parentes de Camargo exigiram a liberação do jornalista: “Reiteramos nossa profunda preocupação pela desaparição forçada de Joan e exigimos sua imediata libertação, assim como o respeito a seus direitos humanos e o cumprimento das garantias constitucionais e legais que o protegem”.
Caso a prisão de Camargo seja confirmada, o número de jornalistas e trabalhadores da imprensa encarcerados na Venezuela aumentaria para 23, conforme dados apurados pelo SNTP. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) já havia denunciado em outubro que jornalistas são detidos “como parte da grave repressão a que o regime de Nicolás Maduro submeteu a imprensa independente”, enfrentando acusações de delitos graves, como suposta traição à pátria.
Organizações como o Instituto Prensa y Sociedad (Ipys) manifestam que a atividade de informar é constantemente castigada no país. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirma que o governo de Maduro mantém um “ambiente hostil para o exercício do jornalismo e a liberdade de expressão”.
Desaparecimentos forçados
Este incidente integra um padrão de ‘desaparecimentos forçados’ a que a ditadura submete líderes políticos, ativistas sociais e profissionais da mídia. Camargo é um repórter conhecido por sua atuação na cobertura de eventos policiais e judiciais na capital.
Esses profissionais permanecem detidos sem o direito garantido à defesa, segundo as informações documentadas.
Precedentes e repressão sistêmica
A perseguição a repórteres não é inédita. Um colega de Camargo na área policial, o jornalista Román Camacho, também foi detido e interrogado por agentes do regime no ano anterior, por um período de 48 horas.
Após sua soltura, Camacho não pôde fornecer detalhes sobre a detenção arbitrária. Observou-se uma mudança evidente em sua exposição e nos relatórios que produzia.
A pressão sobre a imprensa faz parte de um quadro mais amplo de repressão política. Fontes documentam 1.067 presos políticos no país, dos quais 172 encontram-se na condição de desaparecidos.
A necessidade de silenciamento se manifesta como uma tática de poder. Análises indicam que o governo do ditador Maduro “tem que silenciar e calar vozes para se manter no poder”.
A contínua ação contra críticos e jornalistas visa coibir a divulgação de informações. O desaparecimento de Joan Camargo reforça o temor entre os profissionais da comunicação.
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Comentários (1)
Claudemir Silvestre
03.11.2025 20:35Mas segundo os PETISTAS, lá temos uma democracia !! Igual a que querem implantar no Brasil !!!