Maioria do Rio apoia enquadrar CV como terrorista, aponta Quaest
Governo Lula resiste a encampar o enquadramento de grupos como CV e PCC, sob o receio de que poderia atrair algum tipo de interferência americana
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira, 3, indica que 72% dos moradores do estado do Rio de Janeiro apoiam “enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas”. Apenas 23% são contra.
A questão voltou ao debate público com muita intensidade após a deflagração da Operação Contenção, na terça-feira, 28, quando as forças policiais fluminenses entraram em confronto com membros do Comando Vermelho (CV), numa ação que resultou na morte de 117 faccionados e quatro policiais nos complexos do Alemão e da Penha.
O governo Lula resiste a encampar o enquadramento de grupos como CV e PCC, sob o receio de que poderia atrair algum tipo de interferência americana, mas os governos dos vizinhos Paraguai e Argentina deram passos nessa direção na semana passada.
A mudança de entendimento sobre esses grupos, que se acostumaram a mandar fechar comércio, obstruir rodovias e queimar ônibus quando incomodados, permitiria ao Brasil acessar informações de organismos internacionais que facilitariam o enfrentamento às facções criminosas.
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Nem todos apoiam
Os recortes da pesquisa, que ouviu 1.500 pessoas em 40 municípios do estado do Rio em 30 e 31 de outubro e tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiabilidade de 95%, mostram que o apoio à mudança varia de acordo com o posicionamento político.
A esquerda não lulista é quem mais se opõe ao enquadramento das facções como terroristas (57% contra), enquanto a direita não bolsonarista é quem mais apoia (95%). Entre os eleitores classificados como “independentes”, o apoio é de 74%.
O instituto também questionou os moradores do Rio sobre aumento de pena de prisão para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas, e o apoio foi de 85%.
Além disso, 62% apoiam retirar o direito a visita íntima nas prisões para faccionados e 53% são a favor de proibir saidinha mesmo para esse tipo de preso, ainda que ele tenha bom comportamento ou já tenha cumprido a maior parte da pena.
Outro dado: 52% dizem apoiar a PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo Lula, mas vista com desconfiança pelos governadores, por retirar autonomia dos estados no combate à criminalidade.
A facilitação para compra ou acesso a armas de fogo pela população em geral só é vista como solução por 24% da população, e rejeitada por 72%.
Pesquisas
Uma série de pesquisas de opinião foi publicada nos últimos dias, na tentativa de entender como a população brasileira interpretou a Operação Contenção.
Praticamente todos os institutos indicaram apoio da maioria da população brasileira, apesar das críticas feitas por “especialistas” em segurança pública.
O levantamento do instituto AtlasIntel se destacou ao indicar apoio massivo dos moradores de favelas do Rio e de outras cidades do Brasil ao enfrentamento dos faccionados do CV.
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