Nigéria abre diálogo com Trump para combater massacre de cristãos
País africano enfrenta insurgência jihadista há mais de 15 anos, liderada por grupos como Boko Haram e Estado Islâmico
O governo da Nigéria afirmou neste domingo, 2, que aceitaria apoio militar dos Estados Unidos no combate a grupos extremistas islâmicos, desde que a soberania do país seja respeitada. A declaração foi feita após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar intervir caso o país não contenha os ataques contra cristãos.
“Recebemos bem qualquer assistência dos Estados Unidos, desde que reconheça nossa integridade territorial”, disse Daniel Bwala, porta-voz da presidência nigeriana.
Ele acrescentou que os encontros entre Trump e o presidente Bola Tinubu devem resultar em “melhores resultados na nossa determinação conjunta de combater o terrorismo”.
Trump afirmou no sábado, 1º, que os Estados Unidos poderiam invadir a Nigéria se os assassinatos de cristãos prosseguissem. O presidente americano disse ainda que Washington suspenderia ajuda e poderia “disparar indiscriminadamente para aniquilar completamente os terroristas islâmicos”.
O presidente nigeriano Bola Tinubu rejeitou as críticas e defendeu o histórico de seu governo na proteção à liberdade religiosa. Ele também se mostrou disponível para se reunir com Trump nos próximos dias, seja na State House, em Abuja, seja na Casa Branca, para tratar do tema.
Entre os pontos a serem discutidos estão a abrangência dos ataques e a proteção de todas as confissões religiosas no país.
Contexto da violência
A Nigéria enfrenta uma insurgência jihadista há mais de 15 anos, liderada por grupos como Boko Haram e Estado Islâmico da África Ocidental.
A região nordeste concentra a maioria dos ataques, com estimativas das Nações Unidas apontando mais de 40 mil mortos e dois milhões de deslocados desde 2009. Embora parte das vítimas seja cristã, a maioria dos mortos é muçulmana.
Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, classificaram os ataques contra cristãos são “trágicos e inaceitáveis”.
“O cristianismo enfrenta uma ameaça existencial na Nigéria. Milhares de cristãos estão sendo mortos. Islamistas radicais são responsáveis por esse massacre.
Por meio deste, declaro a Nigéria um ‘PAÍS DE ESPECIAL PREOCUPAÇÃO’ — mas isso é o de menos. Quando cristãos, ou qualquer outro grupo semelhante, são massacrados como está acontecendo na Nigéria (3.100 contra 4.476 em todo o mundo), algo precisa ser feito!”, escreveu Trump na rede Truth Social.
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