“São trabalhadores megaexplorados”, diz vereadora do PSOL sobre traficantes
Karen Santos condenou megaoperação policial no Rio e lamentou críticas a quem recorre ao tráfico para aumentar rendimentos
Karen Santos, vereadora do PSOL em Porto Alegre, ao condenar a megaoperação policial de 28 de outubro no Rio de Janeiro, afirmou em sessão plenária da Câmara Municipal da capital gaúcha, no dia 29, que traficantes envolvidos na “cadeia produtiva” de facções criminosas armadas, como o Comando Vermelho, “são trabalhadores megaexplorados”.
Ao lamentar críticas a “esse setor da nossa classe que procura no tráfico de drogas mecanismos de ter maior rendimento social”, a vereadora do PSOL ainda questionou: “Quem é que se sustenta com 2 mil reais, pessoal?”
O Antagonista responde que milhões de brasileiros trabalhadores vivem com 2 mil reais e até menos (como mostraram os resultados do Censo divulgados em outubro), sem procurar no crime organizado uma forma de enriquecer ilicitamente, armando-se com fuzis e drones-bomba, impondo as próprias leis em territórios demarcados com barricadas, torturando moradores desobedientes de favelas, e/ou matando civis inocentes e policiais.
Tanto que a imensa maioria dos moradores de favelas do Rio declarou apoio à megaoperação policial do dia 28, segundo pesquisa AtlasIntel.
A esquerda lulista insulta os pobres honestos do Brasil toda vez que legitima moralmente, pela baixa renda, a escolha pela vida criminosa.
Eis um trecho do discurso de Karen Santos:
“Quer acabar com as drogas? Regulamenta.
Porque é muito interessante pro capitalismo superexplorar essa cadeia produtiva das pessoas que plantam, das pessoas que embalam, das pessoas que fazem o translado, até chegar no varejo lá na ponta, na biqueira, são trabalhadores megaexplorados, sem seus direitos garantidos, e a gente não percebe que o rendimento [é] bilionário desse setor, porque em nenhuma parte dessa cadeia produtiva há nenhum tipo de taxação de imposto.
E é esse dinheiro que é lavado depois na Faria Lima, na megaoperação que nós denunciamos no mês passado em São Paulo. Só não enxerga quem não quer ver.
E é trágico ver a extrema-direita se utilizando dessa megaoperação pra seguir promovendo o ódio, o ódio ao setor mais discriminado na nossa sociedade.
Quer acabar com a guerra às drogas? Quer avançar nessa pauta? Regulamenta. Quer avançar nessa pauta? Emprego e renda.
Sessenta por cento da nossa classe trabalhadora vive com salário de até 2 mil reais. Quem é que se sustenta com 2 mil reais, pessoal? Querem acabar com o tráfico? Emprego e renda.
Não existe política pra isso na nossa cidade, não existe política pra isso no nosso país. Construção civil de um lado, serviços de outro, trabalho plataformizado, ter que ser Uber, ter que ser entregador do iFood. É esse o tipo de emprego que o Brasil vem gerando, e a gente critica esse setor da nossa classe que procura no tráfico de drogas mecanismos de ter maior rendimento social.
Então são várias camadas, desde como é que o fuzil chega na periferia, desde como é que a droga chega na periferia, desde como é que o dinheiro do tráfico é lavado na Faria Lima, desde como esse dinheiro alimenta políticos que querem mais que a guerra continue, porque recebem investimentos da Taurus, porque recebem investimento desse setor que lucra com a tecnologia armamentista no nosso Brasil, inclusive com relações diretas com o Estado de Israel.
Então, assim, vamo [sic] parar com o rebaixamento da discussão política. O papel do parlamentar é elevar o senso comum da nossa população, não discutir problemas complexos de forma rasa, incentivando estigmas racistas e elitistas.”
A rigor, havia pretos entre os 2.500 policiais envolvidos na megaoperação, assim como havia brancos entre os traficantes mortos.
Francisco Myller Moreira da Cunha, “Gringo” ou “Suíça”, e Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, chefes do tráfico em Manaus (AM); e Alisson Lemos Rocha, o “Russo”, chefe do tráfico em Vitória (BA), são alguns exemplos de criminosos eliminados que não eram pretos.
As tentativas de transformar bandidos em vítimas por questões de cor e renda são próprias das elites de esquerda, cada vez mais desconectadas da realidade e do pensamento do povo brasileiro.
Elas é que deveriam parar de rebaixar a discussão política a uma coleção de bravatas ideológicas, alheias aos fatos objetivos.