Bruno Soller na Crusoé: O “efeito Mamdani” em Nova York
Democrata, socialista, de origem indiana e nascido em Uganda está à frente nas pesquisas
O democrata Bill Clinton venceu as eleições americanas de 1992 com o mantra da recuperação econômica.
A frase que marcou esse momento foi “É a economia, estúpido“, de James Carville, um dos principais conselheiros políticos e guru das pesquisas eleitorais do ex-presidente.
Mas o Partido Democrata tem perdido o pragmatismo expresso na frase de Carville.
Isso tem ocorrido desde a ascensão de uma ala muito ideológica e sectária, identificada com pautas de empoderamento e costumes.
O tradicionalismo tem envelhecido, e as novas lideranças não mais se coadunam com o que os democratas historicamente representaram.
Na esteira do sucesso de Barack Obama, a candidada Hillary Clinton enfrentou Donald Trump, em 2016. Acabou caindo na armadilha que o partido tem tido dificuldade em superar.
Conhecida por suas posições moderadas e até razoavelmente conservadoras como senadora, a candidata à época fez uma mudança radical para agradar a ala mais progressista do partido, que tinha em Bernie Sanders um ídolo.
Hillary esqueceu de falar do problema comum dos americanos e fez uma campanha sobre direitos, junto de artistas, buscando uma roupagem que poderia lhe garantir a adesão afirmativa dessa parcela da população.
O resultado foi uma doída derrota para alguém que fez aquilo que seu marido tinha feito em 92. Trump falou para o cidadão comum, que tem dores muito maiores que os apelos ideológicos.
Para enfrentar Trump, após a desistência de Joe Biden por razões médicas, Kamala Harris fez um marketing bastante direcionado para a esquerda, cometendo erros de principiante.
Kamala errou quando zombou de um cristão fervoroso, que a interrompeu em uma audiência, dizendo que lá não era o lugar dele.
Essa postura gerou dissidência entre os negros americanos protestantes, que integram uma importante parcela da população localizada no sul e sudeste do país, e que costumeiramente vota nos democratas pela questão da defesa racial.
Nas eleições municipais de Nova York, que serão celebradas no dia 4 de novembro, as pesquisas têm apontado para uma possível vitória de Zohran Mamdani, um jovem de origem indiana, nascido em Kampala, Uganda, e de religião muçulmana.
O candidato é uma sensação absoluta no país, por carregar todos os estereótipos que se contrapõem ao que Donald Trump representa.
De orientação socialista, o candidato tem…
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