Traficantes usaram armas de guerra e drones com bombas na operação
Maior arsenal já apreendido no Rio expôs estrutura paramilitar do Comando Vermelho
A Operação Contenção revelou o poder de fogo do Comando Vermelho.
Imagens registradas por drones mostraram criminosos fortemente armados no início da ação e dezenas de outros fugindo em direção à Serra da Misericórdia, usada como rota de escape e base de confronto.
A polícia apreendeu 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver, além de 14 explosivos. O valor do arsenal é estimado em R$ 5,4 milhões. Foi a maior apreensão em uma única operação na história do estado, segundo a Secretaria de Segurança.
A maioria dos fuzis é do modelo FAL, de fabricação belga, projetado para combate militar. Entre as armas apreendidas, seis pertenciam às Forças Armadas de quatro países, duas do Exército Brasileiro, duas da Venezuela, uma do Peru e uma da Argentina.
Planilhas apreendidas com criminosos indicam que a facção gastou mais de R$ 5 milhões em um mês com armas e munição. Foram comprados pelo menos 44 mil cartuchos nos calibres 7,62 e 5,56 milímetros. Um dos fuzis é calibre .50, capaz de perfurar blindagens e atingir aeronaves.
Estudos da Polícia Militar apontam que 95% dos fuzis apreendidos no estado vêm do exterior. Cerca de 60% são de origem norte-americana. As armas entram desmontadas pelas fronteiras com Paraguai, Bolívia e Colômbia e são montadas por armeiros ligados ao tráfico.
Durante a operação, criminosos lançaram granadas por drones contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais. Segundo a Polícia Federal, o grupo recebeu ajuda de um militar da Marinha, preso por orientar a adaptação dos equipamentos para o lançamento de explosivos.
A polícia também encontrou bloqueadores de sinal usados para interferir em drones das forças de segurança. Em 2025, foram registradas 216 ocorrências com o uso desses aparelhos. Um interceptador com alcance de sete quilômetros foi apreendido em Acari, na Zona Norte.
As investigações identificaram um laboratório clandestino em Sorocaba, no interior de São Paulo, responsável pela montagem de bloqueadores. Peças importadas da China eram revendidas ao crime por até R$ 120 mil.
Com os 91 fuzis recolhidos, o total de armas desse tipo apreendidas no estado chegou a 686 em 2025, novo recorde anual. A Secretaria de Segurança afirma que o aumento reflete o investimento das facções em armamento pesado e tecnologia de guerra.
A Serra da Misericórdia, segundo a Polícia Civil, serve também como campo de treinamento do Comando Vermelho. O local é usado para instrução de novos integrantes, inclusive menores de idade.
O governo estadual pediu à Justiça a transferência de chefes da facção para presídios federais.
Segundo o secretário de Segurança, Victor Santos, o objetivo é enfraquecer a estrutura de comando e cortar as rotas de abastecimento de armas e equipamentos.
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