Crime organizado afeta 28,5 milhões de brasileiros em áreas urbanas
Levantamento Datafolha mapeia aumento da atuação de facções do tráfico e milícias; pesquisador detalha modelos de negócio e urgência de coordenação nacional
De acordo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crime organizado chega à vizinhança de pelo menos 28,5 milhões de brasileiros. A percepção das pessoas consultadas em pesquisa encomendada ao Datafolha é de que facções e milícias estão mais perto e interferem cada vez mais diretamente no cotidiano do cidadão.
Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, jornalista e autor de A Guerra: A Ascensão do PCC, A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro e O Mundo do Crime no Brasil, o combate ao crime é ineficiente porque desarticulado, em uma situação em que cada estado tenta, à sua maneira, encontrar soluções locais para um problema nacional:
“É notável que a segurança pública vive em ilhas estaduais, é como se cada um tivesse que resolver o problema do seu próprio Estado. É essencial ter uma coordenação para trabalhar de forma inteligente, Estados e a União participando desse processo, compartilhando informações, Ministérios públicos, polícias civis e militares, guardas etc”, disse em entrevista ao Jornal da USP.
Segurança pública para eleitor ver
Além disso, “a segurança pública sempre foi considerada um ônus para o Estado brasileiro, como se fosse só mais um problema jogado nas costas dos políticos. A criação da nova PEC, que cria fundos para financiar a segurança do Estado, e uma agência que pensa de forma estratégica, compartilhada com as outras instituições estaduais, é também um passo importante nessa batalha”.
Crime organizando “reorganiza” a vida do cidadão
Manso, que estudou a gênese, o crescimento e a dinâmica organizacional de grupos como o PCC, diz que o crime organizado é, cada vez mais, uma espécie de “hipermercado” de crimes, e sua atuação atravessa o dia a dia das pessoas comuns, no caminho do trabalho, no trajeto da escola, na convivência do bairro ou do centro das cidades:
“O PCC é muito focado nos portos, aeroportos, estradas para transportar seus produtos para os mercados internacionais e também distribuindo nos Estados, mas fundamentalmente pensando nesse mercado atacadista, lavando muito dinheiro, entrando em outros negócios e na política. E o Comando Vermelho, por outro lado, com essa estratégia de controle territorial nas cidades, não só para a venda varejista de drogas, mas também para venda de gás, de cigarro clandestino, apropriação de terrenos, construção de imóveis. A partir do momento que eles exercem o controle armado do território, começam a extrair receita desse território que controlam. São dois modelos de negócios diferentes, mas ambos prejudicam absurdamente a população”.
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Comentários (1)
Marian
30.10.2025 18:11A sociedade, o trabalhador é a verdadeira vítima. Não é o criminoso terrorista