Quem removeu corpos não queria perícia, diz procurador
"Removeram os corpos dos locais das mortes antes da perícia chegar e fazer o seu trabalho", afirmou Helio Telho ao rebater ministra da Secom no governo Dilma
Helio Telho, procurador do Ministério Público Federal de Goiás, e Helena Chagas, ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) no governo de Dilma Rousseff, protagonizaram no X uma discussão sobre os motivos que levaram moradores e ativistas a removerem da mata os corpos dos mortos na megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho na terça, 28.
Ao rebater a ex-ministra de Dilma, o procurador afirmou que quem removeu os corpos não queria perícia.
O Antagonista reproduz abaixo a discussão:
Helena Chagas: “Moradores retiraram corpos da mata pq quem deveria fazê-lo, o poder público, não o fez. Aí, em meio a imagens horripilantes dos cadáveres na rua, o secretário de (in)Segurança aponta ‘fraude’ pq tiraram as roupas camufladas dos mortos. Vem o governador e diz que todo mundo era bandido, e q a operação q resultou no morticínio (121) foi um ‘sucesso’. Era tudo gente, q tem mãe, pai, mulher, filhos. Muitos mereciam passar o resto da vida na cadeia. Outros, certamente q não. Todos mereciam prisão e julgamento. Morrer fuzilado ninguém merecia.”
Helio Telho: “Quem foi fuzilado e quem foi morto tentando matar polícia? Não saberemos. Removeram os corpos dos locais das mortes antes da perícia chegar e fazer o seu trabalho. Quem removeu os corpos não queria que as circunstâncias das mortes fossem periciadas.“
Hebert Freitas, que se identifica como “criminalista e criador do Síntese Criminal” no X, interferiu:
“‘Antes da perícia chegar e fazer o seu trabalho’. Pô, Helio. Me ajuda aí. Você acha mesmo que a polícia ia voltar ao epicentro do confronto pra fazer perícia?
Faz operação e deixa corpos. Depois, faz outra operação para acessar o local e realizar as perícias dos corpos deixados da outra vez?”
Ao criminalista, o procurador Helio Telho respondeu:
“Essa é a obrigação legal e dever funcional da polícia. Aliás, o Supremo determinou, na ADPF das favelas, que, diante de mortes resultantes dessas operações, o local deve ser preservado imediatamente, a cena não pode sofrer alterações, e a perícia técnica tem que ser garantida e documentada de forma completa, com participação do Ministério Público. A remoção dos cadáveres é de responsabilidade exclusiva da Polícia Técnica, após documentação detalhada, garantindo o registro das condições originais do local e dos corpos.
– O laudo pericial deve ser concluído no prazo máximo de 10 dias após o incidente.
– Foi determinado que toda morte por intervenção policial deve ser objeto de autópsia obrigatória.”
O governo do Rio de Janeiro confirmou 121 mortos na Operação Contenção, sendo quatro policiais e 117 suspeitos.
Leia também: O “desastre” e o “sucesso” da guerra no Rio
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Comentários (2)
Eduardo Camargo de Carvalho
30.10.2025 14:31Helena Chagas, Leva eles pra tua casa antes de morrerem e cuida dando sopinha na boca. Helio Telho. Que tal vc ser o pai e a Helena a mãe dos "inocentes"?
Eduardo Camargo de Carvalho
30.10.2025 14:31Helena Chagas, Leva eles pra tua casa antes de morrerem e cuida dando sopinha na boca. Helio Telho. Que tal vc ser o pai e a Helena a mãe dos "inocentes"?