“Não me ligou. Isso me deixou triste”, diz Lupi sobre saída de Ciro do PDT
"Depois de tantos anos de convivência, não trocar uma palavrinha, não ligar? Dizer ó, tô indo para uma nova casa, para uma nova relação, queria te dizer tchau, mas muito obrigado, né?", lamentou o presidente do PDT
Em entrevista ao programa Amarelas On Air, da VEJA, Carlos Lupi, presidente do PDT e ex-ministro da Previdência, abordou a operação da Polícia Federal que revelou um extenso esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e comentou a saída de Ciro Gomes do partido.
Lupi afirmou ter ficado triste por não receber sequer um telefonema de Ciro Gomes quando o ex-governador do Ceará decidiu deixar o partido.
“Não me ligou. Isso me deixou triste. A palavra é essa”, disse o ex-ministro da Previdência e continuou:
“Eu não trabalho com mágoa, não trabalho com raiva, mas depois de tantos anos de convivência, não trocar uma palavrinha, não ligar? Dizer ó, tô indo para uma nova casa, para uma nova relação, queria te dizer tchau, mas muito obrigado, né?”, comentou.
O pedetista lembrou que o PDT deu a Ciro Gomes a chance de disputar a Presidência da República em duas ocasiões e comentou a nota enviada por Ciro ao partido, que considerou lacônica:
“É uma nota pedindo desligamento do partido, agradecendo esses anos de convivência, principalmente à militância. Mas que era uma opção dele, resumindo. Mas muito curta, três linhas, quatro linhas”
Desvios do INSS: “um terror”
Sobre o esquema de desvios do INSS, Lupi negou ter tido conhecimento prévio sobre o escândalo e afirmou que sofreu as consequências de um sistema já comprometido.
Ele ressaltou que o papel do ministro não é atuar como policial e afirmou que a Polícia Federal trouxe à luz uma realidade oculta, que contava com a conivência de alguns servidores e interesses externos.
O ex-ministro descreveu o esquema como uma verdadeira “máfia”, destacando que o desvio médio de aproximadamente R$ 30 por mês de cada aposentado e pensionista resultava em perdas mensais que chegavam a quase meio bilhão de reais, considerando os 16 milhões de beneficiários. “Um terror”, classificou Lupi.
Durante a entrevista, ele apontou que a relação entre as associações e os descontos automáticos na folha de pagamento dos aposentados deveria ter sido proibida por legislação adequada.
“Se eu tivesse noção da grandiosidade disso, teria terminado com qualquer intermediação do INSS nessas transações”, lamentou.
“Mágoa gera câncer”
O ex-ministro também deixou claro que não nutre ressentimentos em relação ao presidente Lula.
“Mágoa gera câncer. Tenho respeito e admiração por Lula. É um homem que, assim como Mandela, saiu da prisão e retornou ao poder através do voto popular”, disse ele.
Embora esteja fora do governo, Lupi defendeu a continuidade das investigações e manifestou otimismo quanto à elucidação do caso.
“No final desse processo, saberemos quem foi criminoso e quem apenas cometeu erros administrativos. Estou com a consciência absolutamente tranquila”, concluiu.
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