Eleições na Argentina têm abstenção recorde
Baixa participação representa desafio para Milei e sua tentativa de ampliar a bancada do La Libertad Avanza no Congresso
Com abstenção recorde, a Argentina foi às urnas neste domingo, 26, para renovar parte do Congresso e medir a força política do presidente Javier Milei (foto).
As urnas foram encerradas às 18h, e a participação foi de apenas 66% — o menor índice desde o retorno da democracia em 1983. O voto é obrigatório no país.
Metade da Câmara dos Deputados (127 cadeiras) e um terço do Senado (24 cadeiras) estão em disputa. O partido de Milei, La Libertad Avanza, busca ampliar sua pequena bancada — hoje com 37 deputados e seis senadores — e garantir sustentação parlamentar para o pacote fiscal do presidente.
Abstenção preocupa governo
A baixa participação nas urnas surpreendeu até o próprio governo, que esperava um comparecimento entre 70% e 75% dos eleitores.
O número ficou abaixo das legislativas de 2021, quando 71,7% do eleitorado votou em plena pandemia, e das presidenciais de 2023, com 74%.
Durante o dia, a taxa de participação foi considerada fraca: ao meio-dia, apenas 23% haviam votado; às 15h, 41,7%; e às 17h, 58,5%.
Aliados do governo disseram ao Clarín que o Executivo contava com maior mobilização e que a abstenção poderia favorecer o peronismo.
A pressão de Trump
A disputa eleitoral foi acompanhada de perto por Washington. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, firmou nas últimas semanas um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central argentino e realizou compras diretas de pesos, em um movimento visto como tentativa de fortalecer Milei.
Em Washington, Trump foi explícito ao condicionar o apoio à vitória do aliado.
“Se ele [Milei] perder as eleições, não seremos generosos com a Argentina”, disse após um encontro com o presidente argentino.
O gesto reforçou a dependência econômica de Buenos Aires do financiamento americano, mesmo enquanto a demanda por dólares entre empresas e cidadãos argentinos segue em alta.
Milei evita declarações
O presidente argentino votou por volta das 11h, em Buenos Aires, sob forte esquema de segurança.
Diferente da votação de 2023, quando venceu a eleição presidencial, Milei manteve uma postura discreta: não falou com a imprensa, posou para fotos com apoiadores e deixou o local sob aplausos e algumas vaias.
Do outro lado, o governador peronista Axel Kicillof votou em La Plata e declarou que o pleito era “crítico para o futuro dos argentinos”. Kicillof liderou, em setembro, uma vitória expressiva do peronismo nas eleições legislativas da província de Buenos Aires, com 13 pontos de vantagem sobre os libertários.
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Comentários (2)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
27.10.2025 10:18Muito bom que os argentinos continuem apoiando o governo Milei, retornar aos peronistas equivaleria ao resultado de nossa eleição de 2022. Se o comparecimento nas eleições daqui fossem livres não creio que a abstenção seria muito diferente, talvez até pior.
Maglu Oliveira
26.10.2025 20:21Os hermanos não ficam nada a dever aos brasilënos, ignorância e falta de vontade de mudar igualzinho aos tupiniquins, adoram umas bol$a$ seja do que for, estavam com saudades dos canhotos. E eu pensei que éramos assim pq fomos colonizados pela ralé portuguesa e desenvolvidos com os escravos. Agora acho que é a origem latina, tudo igual. Os latinos na Europa são um pouquinho diferentes, mas só um pouquinho. Será que é o sol e o calor? Só pode.