Maduro pede revogação da cidadania de Leopoldo López
Se confirmada pelo Tribunal Supremo venezuelano, medida seria inédita contra um líder da oposição em exílio
O ditador Nicolás Maduro solicitou ao Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) a revogação da nacionalidade do líder opositor Leopoldo López, atualmente exilado na Espanha.
A decisão, segundo Maduro, se deve a ações do opositor que incluem “apelar à invasão militar” e “promover o bloqueio econômico” contra o país.
A vice-presidente Delcy Rodríguez anunciou que o Ministério das Relações Exteriores e o SAIME (Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros) iniciarão imediatamente o processo de cancelamento do passaporte de López.
Rodríguez qualificou a ação de López como “grotesca, criminosa e ilegal” e afirmou que o Estado venezuelano possui recursos suficientes para proteger sua soberania e integridade territorial frente a ameaças externas.
O pedido de revogação da nacionalidade se apoia em artigo da Constituição venezuelana que obriga os cidadãos a “honrar e defender a pátria, seus símbolos e valores culturais; resguardar e proteger a soberania, a nacionalidade, a integridade territorial, a autodeterminação e os interesses da Nação”.
A vice-presidente citou ainda a “Lei Orgânica Simón Bolívar Libertador”, que prevê sanções como prisão, multa ou inabilitação política para cidadãos envolvidos em sanções estrangeiras.
O Tribunal Supremo ainda não se pronunciou sobre o pedido, mas a decisão, se confirmada, representaria uma medida inédita contra um líder da oposição venezuelana em exílio.
López vive na Espanha desde outubro de 2020, após quase sete anos de prisão na Venezuela. Em declarações recentes, ele afirmou que negociações internas não seriam suficientes para mudanças políticas e indicou que a pressão dos Estados Unidos poderia ser necessária.
Em uma de suas últimas aparições públicas, López elogiou a compatriota María Corina Machado pelo Prêmio Nobel da Paz de 2025, destacando que o reconhecimento também é um tributo à determinação do povo venezuelano em buscar mudanças democráticas.
López liderou a oposição ao então presidente Hugo Chávez, sendo inabilitado em 2008 para concorrer à Prefeitura de Caracas, e continuou a se opor a Maduro, o que resultou em sua prisão em 2018 durante protestos contra o regime.
“EUA estão inventando uma nova guerra eterna”
Nesta sexta-feira, Maduro afirmou que os Estados Unidos estão “inventando uma nova guerra eterna”.
“Eles estão inventando uma nova guerra eterna, prometeram que nunca mais se envolveriam em uma guerra e estão inventando uma guerra que nós vamos evitar. Os Estados Unidos inventam um relato extravagante, vulgar, criminoso e totalmente falso, já comprovadamente falso”, disse.
Maduro disse que a Venezuela “é um país livre da produção de folha de coca, livre da produção de cocaína”.
Já o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, afirmou que o envio crescente de meios militares dos Estados Unidos representa “uma ameaça militar ali no Caribe contra a Venezuela, contra a região, contra a América Latina, contra o Caribe”.
O pronunciamento de Maduro ocorreu horas depois de que os Estados Unidos deslocaram o porta-aviões Gerald R. Ford, o maior de sua frota, para o Mar do Caribe.
O Gerald Ford e seu grupo de ataque se juntam ao contingente destacado pelos EUA na região desde setembro. A força já inclui três navios anfíbios de assalto e transporte, caças F-35B, aeronaves de patrulha P-8 e drones MQ-9, todos operando a partir de uma base em Porto Rico.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
26.10.2025 08:01Por que mataram aquele rapaz que fez um buraco na orelha do Trump? Ele era muito bom de mira....