Execução de ex-delegado-geral fazia parte de plano do PCC para matar autoridades, diz MP
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina eram os alvos da facção criminosa
O promotor Lincoln Gakiya (foto), do Ministério Público de São Paulo, afirmou que o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar autoridades incluía o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, executado em 15 de setembro no litoral paulista.
Gakiya era um dos alvos do plano frustrado pela Operação Recon nesta sexta-feira, 24. Além dele, a facção criminosa tentava assassinar o coordenador de presídios Roberto Medina.
“As informações de inteligência que eu tenho é que são o mesmo plano: havia um plano para matar o Ruy Ferraz Fontes, havia um plano para matar o doutor Gakiya, que sou eu, e o Roberto Medina. Esse plano já tem há anos, ele estava parado e voltou a correr. Tanto que o levantamento de rotina do doutor Ruy começou de junho para julho, na mesma época também que o meu e o do Medina”, disse o promotor em entrevista coletiva.
“Infelizmente, o doutor Ruy não teve a mesma sorte”, acrescentou.
Célula de monitoramento do PCC
Segundo o Ministério Público, havia uma célula do crime organizado “estruturada de forma compartimentada e altamente disciplinada”, responsável por realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de seus familiares, “com a clara finalidade de preparar atentados contra esses alvos previamente selecionados”.
Os criminosos, continuou o MPSP, tinham identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, “num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização”.
“A célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama”, afirmou.
“A ação integrada entre os setores de inteligência da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e do MPSP foi fundamental para detectar e neutralizar o plano antes que fosse executado, impedindo que o crime organizado alcançasse seu objetivo. A atuação coordenada das instituições permitiu a identificação dos envolvidos na fase de reconhecimento e vigilância, bem como a apreensão de materiais e equipamentos que serão submetidos à perícia e, em última análise, poderão levar à descoberta dos responsáveis pela etapa de execução do atentado”, acrescentou.
Operação Recon
As polícias Civil, Militar e Penal de São Paulo deflagraram nesta sexta-feira, 24, com o apoio do Ministério Público, a Operação Recon para frustrar um “audacioso” plano de atentado do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades públicas do estado.
A ação cumpre 25 mandados de busca domiciliar distribuídos nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1).
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