Pesquisadores no Vale do Silício chegam a trabalhar 100 horas por semana na corrida da IA
Nos EUA, cultura de liberdade e meritocracia explica ritmo extremo de trabalho e maior produtividade em relação ao Brasil
No Vale do Silício, engenheiros e cientistas de empresas como Google, Microsoft, Meta, Apple, OpenAI e Anthropic vêm trabalhando entre 80 e 100 horas por semana.
Segundo o The Wall Street Journal, a rotina é intensa, mas voluntária. Os profissionais descrevem a experiência como um esforço histórico para criar sistemas de inteligência artificial com desempenho superior ao humano.
Esses trabalhadores são, no geral, jovens, ambiciosos e muito bem remunerados.
Muitos recebem salários milionários, bônus e participação acionária. Para eles, o trabalho prolongado é um investimento pessoal. Estar à frente da corrida global pela inteligência artificial é visto como oportunidade única de ganhar fama e fortuna, além de participar de um momento histórico único.
A legislação americana permite essa liberdade
A Fair Labor Standards Act não impõe limite de horas semanais. Ela diferencia empregados “non-exempt”, que recebem por hora e têm direito a pagamento de horas extras, e os “exempt”, ou “isentos”, categoria que inclui cientistas, engenheiros e executivos. Esses profissionais recebem podem organizar livremente sua jornada.
No Vale do Silício, essa autonomia é parte da cultura local.
As empresas oferecem refeições, áreas de descanso e suporte permanente para quem prefere permanecer no escritório.
Um pesquisador da Anthropic afirmou que tenta “acelerar 20 anos de progresso científico em dois”. Uma pesquisadora do Google disse que o ritmo é “intenso, mas escolhido livremente por cada um”.
Algumas startups mencionam jornadas de 80 horas em contrato. Nas grandes companhias, o engajamento é espontâneo. A chefe de produtos de IA da Microsoft afirmou que, no futuro, a própria tecnologia deve executar o “trabalho 24 horas por dia”, poupando os humanos do esforço contínuo.
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho fixa jornada máxima de 44 horas semanais e prevê pagamento de horas extras.
Na prática, porém, essa regra cobre principalmente empregados de renda média e baixa. Profissionais de alta qualificação costumam atuar fora da CLT, por meio da chamada “pejotização”, em que prestam serviços como pessoa jurídica, com maior flexibilidade e negociação direta de ganhos.
Economistas apontam que essa diferença de cultura ajuda a explicar a distância entre as economias dos dois países.
O trabalhador americano produz mais que o dobro do brasileiro, segundo o Fundo Monetário Internacional.
O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, acima de 28 trilhões de dólares, reflete uma economia baseada em meritocracia, livre negociação e alto desempenho.
No Vale do Silício, essas ideias moldam o cotidiano.
Para os jovens pesquisadores que passam 100 horas por semana no laboratório, liberdade e ambição são partes inseparáveis do mesmo projeto: liderar a revolução tecnológica que está redefinindo o futuro da humanidade.
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