Segundo debate para prefeito de Nova York tem embate sobre imigração e extremismo
Socialista muçulmano amplia vantagem em disputa marcada por críticas ao ICE e escândalos de Cuomo
O segundo debate para prefeito de Nova York, na quarta, 22, reuniu Zohran Mamdani, deputado estadual socialista e muçulmano nascido em Uganda, o ex-governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa.
A eleição, marcada para 5 de novembro, virou símbolo da divisão política nos Estados Unidos.
A imigração dominou o confronto.
O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE, responsável por fiscalizar e deportar estrangeiros ilegais, foi criticado após uma operação em Manhattan. Nove imigrantes africanos foram presos e o caso provocou protestos. A polícia local informou que não participou da ação.
Mamdani prometeu romper qualquer cooperação entre a prefeitura e o ICE. Disse que o órgão age de forma abusiva e quer “encerrar a era de colaboração” com o governo federal.
Cuomo defendeu diálogo com Washington, mas criticou o uso do ICE para “infrações de rua”. Sliwa afirmou que a prefeitura foi omissa e que atacar agentes federais é “um convite à anarquia”.
O custo de vida também esteve no centro do debate. Mamdani propôs congelar aluguéis e subsidiar contas de energia e água. Sliwa sugeriu taxar grandes incorporadoras que mantêm imóveis vazios. Cuomo rejeitou controles de aluguel e disse que experiências anteriores reduziram a oferta de moradias.
A criminalidade dividiu os candidatos. Cuomo e Mamdani apoiaram a lei que aumentou de 16 para 18 anos a idade mínima de responsabilização penal. Sliwa criticou a regra e citou o caso do próprio filho, agredido por uma gangue. “Esses jovens saem apenas com um tapinha no pulso”, afirmou.
Mamdani foi pressionado sobre ligações com extremistas islâmicos.
Ele foi fotografado ao lado do imã Siraj Wahhaj, apontado pela imprensa americana como co-conspirador não indiciado no atentado de 1993 contra o World Trade Center. Também se recusou a condenar o lema “globalizar a intifada”, usado por grupos pró-Hamas.
Cuomo disse que o socialista “espalha ódio religioso” e “ameaça a convivência entre comunidades judaicas e muçulmanas”.
Nos minutos finais, Sliwa e Mamdani atacaram Cuomo pelos escândalos de assédio sexual que encerraram seu segundo mandato como governador em 2021. Eles lembraram que ele usou mais de US$ 20 milhões em recursos públicos para se defender. Cuomo respondeu que os casos foram arquivados e disse que “governar exige maturidade e responsabilidade”.
Pesquisas apontam Mamdani com cerca de 35% das intenções de voto, seguido por Cuomo com 25% e Sliwa com 20%.
O resultado testará a força da esquerda radical em Nova York e o limite da tolerância dos eleitores com o extremismo político e religioso.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)