Negócios entre gigantes da IA levantam temores de nova bolha financeira
Empresas investem e compram umas das outras, num ciclo que lembra a bolha da internet e a crise das “pontocom”
Os acordos bilionários entre as maiores empresas de inteligência artificial estão levantando temores de uma nova bolha no setor.
Analistas enxergam um mesmo dinheiro circulando entre as mesmas companhias, criando uma aparência de crescimento que pode ser ilusória.
Segundo o Wall Street Journal, empresas como Nvidia, Microsoft, OpenAI, Oracle, AMD e CoreWeave estão envolvidas em negócios cruzados. Elas investem umas nas outras e, ao mesmo tempo, compram produtos e serviços entre si.
O exemplo mais claro é o da Nvidia, fabricante de chips. A empresa prometeu investir até 100 bilhões de dólares na OpenAI, criadora do ChatGPT. Parte desse dinheiro voltaria para a própria Nvidia, já que a OpenAI pretende comprar milhões de chips da companhia.
Na prática, é como emprestar dinheiro a alguém para que essa pessoa gaste na sua própria loja. Enquanto o entusiasmo com a IA continuar, todas as partes parecem ganhar. Mas se o interesse diminuir, as perdas podem vir em dobro: as vendas caem e os investimentos perdem valor.
Situações parecidas já aconteceram antes.
Durante a bolha das “pontocom”, nos anos 1990, fabricantes de equipamentos de telecomunicações emprestavam dinheiro aos clientes para que comprassem seus produtos.
As vendas pareciam crescer, até que os clientes quebraram e arrastaram os fornecedores junto. A Lucent Technologies, uma das maiores do setor, foi à falência.
Agora, o risco é maior. A OpenAI é avaliada em cerca de 500 bilhões de dólares, mesmo sem dar lucro. A Microsoft é acionista e cliente da empresa.
A CoreWeave, que fornece infraestrutura de nuvem, tem participação da Nvidia e vende para as mesmas companhias que a financiam.
Enquanto o dinheiro continuar girando, o sistema se sustenta. Mas se o fluxo parar, o efeito dominó pode atingir todo o ecossistema da IA.
O medo de que o boom tecnológico acabe em mais uma bolha global volta a rondar o Vale do Silício.
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