Ciro volta ao PSDB mirando contra o “lulismo eterno”
Ex-governador falou em recomeçar sua vida pública ao se refiliar ao partido após deixar o PDT, mas não mencionou perspectiva de candidatura no Ceará
Ciro Gomes (foto) voltou ao PSDB oficialmente nesta quarta-feira, 22, falando no recomeço de sua vida política, mas sem sugerir uma candidatura ao governo do Ceará, que teria sido o motivo de sua saída do PDT. Aliás, seu discurso foi feito para além das fronteiras do estado.
“Pelo Brasil, eu morro. É bem verdade que pelo Ceará eu mato, mas pelo Brasil eu morro e vejam a propaganda oficial, ajudada aqui e ali por uma certa incompetência de uma certa oposição sectária que não entende a complexidade da vida nacional e aperfeiçoa o desastre, a manipulação do sentimento nacional de defesa da soberania nacional, que não é nada da prática de fato defendida, mas que serviu de retórica quando setores da oposição apoiaram a agressão estrangeira como foi feita pelos Estados Unidos contra a economia brasileira”, comentou o ex-governador ao discursar.
“Pois bem, aproveitando esta inconsequência, nós temos no Brasil um quadro em que tudo está cor-de-rosa e lindo, está tudo maravilhoso, e quem disser o oposto é logo taxado de fascista, de bolsonarista, de direitista, de fascista ou qualquer priquitista ou seja lá o que diabo for. Porque aqui é assim, é desse jeito, é desse jeito que se faz para desqualificar toda e qualquer crítica. Não sou eu que estou falando, não. Não sou eu, é só tentar fazer crítica a esse dispositivo de poder, mas vamos conversar sobre o Brasil, que nós vemos aí nas ruas, vamos conversar”, completou.
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“Lulismo eterno”
Ciro chegou a sugerir que o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) está pronto “para ser o grande governador que o estado do Ceará pode ter”, mas não falou sobre suas pretensões eleitorais, dirigindo as críticas principalmente a Lula a Camilo Santana, ministro da Educação.
“Para agente fazer as coisas no Brasil acontecerem, não será com sectarismo, não será com donos da verdade, não será estimulando o ódio a desavença entre as pessoas que repartem famílias, que destróem amizades. Ao contrário, o Brasil precisa construir um grande caminho de reconciliação. Não a reconciliação das elites, que é anestesia, porque essa está sendo feita mais uma vez, mas a reconciliação ao redor de um projeto de nação que tenha compromisso com o trabalho, com a produção, com a decência. O Brasil, hoje, é o país de regime mais corrupto na sua história”, discursou o ex-governador, emendando:
“Acham que eu estou exagerando? Tomem nota: eu desafio qualquer petista a me contestar. Nós esculhambamos o Bolsonaro quando ele começava a liberar emendas na faixa de 30 bilhões de reais por ano. A gente esculhamba como corrupção epidêmica, endêmica, gravíssima e tal. Pois bem, o Lula, este ano, já liberou 3 bilhões de reais para roubalheira generalizada, ressalvando as exceções que certamente deve haver num universo como esse. Não existe quadra de governo mais corrupta do que essa. Nós ouvimos falar, recentemente, que o governo demitiu 370 pessoas. Qual foi a razão? Não tinham competência para trabalhar? Não tinham compromisso com as missões [com] que estavam? Não. Porque não aceitaram mais se subjugar ao processo eleitoral do lulismo eterno que quer se perpetuar no poder, ainda que o Lula vá fazer 85 anos, se terminar o próximo mandato, o que considero — com todo respeito, nós estamos chegando lá também —, mas considero uma irresponsabilidade grave contra o país.”
Aliados
Ciro também se defendeu das críticas por ter se aproximado de aliados como o deputado federal André Fernandes (PL-CE), bolsonarista derrotado no segundo turno na última eleição para prefeito de Fortaleza. O deputado estava no palanque nesta quarta e foi elogiado pelo ex-governador.
“É muito fácil a gente se alinhar com quem pensa igual, é muito fácil a gente se alinhar com quem é subalterno, é muito fácil a gente se alinhar com quem tem dívida conosco. Não é o caso. Estão aqui, por uma coisa muito alta, que saiu da moda, mas nós precisamos trazer de volta ao centro do nosso caminhar político, que é uma coisa chamada espírito público”, disse o tucano reformado.
“Nós estamos aqui com lideranças políticas de antanho, para usar uma palavra mais antiga, ou de hoje, moderníssimas, recém-postas no holofote da popularidade grande aqui no Ceará, e, apesar das nossas diferenças, nós não devemos ter medo de afirmar com honestidade e humildade a todo o povo do Ceará que nós temos diferenças. Quando o olhar é sobre a vida nacional, um ambiente absolutamente passionalizado calorosamente por uma uma polarização assentada no ódio na paixão despolitizada mais violentas ainda ficam as contradições se nós não tivermos a generosidade de compreender o que, no sendo comum, nos obriga a trabalharmos juntos e trabalhar nossas diferenças sem vergonha nenhuma, sem nenhum cabimento de ficar escondido seja de quem for”, seguiu.
“Repare bem: quando o Lula se elege, chama o José Alencar, do PL. Não é o teu partido, André Fernandes? O Zé Alencar era do PL quando o Lula chamou para ser o vice-presidente da República. Aí, tudo bem, pode fazer aliança com PL, porque, de fato, o Zé Alencar era um grande brasileiro. Quando o Lula resolveu lançar Dilma [Rousseff] sem vivência política nenhuma, já avisado [de] que as coisas podiam ser gravemente traumatizadas, como infelizmente aconteceu, eu falei isso muitas vezes, ele chamou a polêmica figura do Michel Temer, do MDB. Aí pode, não tem problema nenhum, porque sendo o Lula e o PT, pode, não tem problema nenhum. Quando, agora, mais recentemente, o Lula quis se eleger por quase 1% apenas de diferença do Bolsonaro, depois de todas as dificuldades que passou, quem ele chamou para ser o vice? Geraldo Alckmin, fundador do PSDB. Agora é socialista, um grande guru da esquerda, ‘companheiro’, porque, para eles, tudo pode. E assim que será enfrentada essa contradição”, continuou Ciro, chamando André Fernandes de “esse jovem talento”, e arrematando:
“Aqui não tem ladrão. E lá, dá para dizer isso?”
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Comentários (1)
Eliane ☆
22.10.2025 16:04JAMAIS terá o meu voto. JAMAIS!