Imprensa progressista desdenha da primeira mulher a comandar o Japão
A eleição de Takaichi revelou a contradição de um movimento que se diz inclusivo, mas rejeita a diversidade de pensamento
A eleição de Sanae Takaichi como primeira-ministra do Japão, em 21 de outubro, foi um marco histórico. Pela primeira vez, uma mulher chegou ao cargo máximo em um dos países mais ricos, influentes e tradicionais do planeta.
O esperado seria uma celebração global dos identitários. O que ocorreu, porém, foi o oposto: a cobertura da imprensa progressista tratou a conquista com hostilidade, desdém, alarmismo e descrença, transformando um feito inédito em motivo de crítica radicalmente ideológica.
A BBC descreveu o episódio como “histórico, mas com ressalvas”. O New York Times classificou Takaichi como “linha-dura ultraconservadora e possível risco à agenda de igualdade”. A NPR perguntou “se a vitória realmente ajuda as mulheres”.
Já o Guardian afirmou que a nova premiê “mantém o patriarcado”. O sexo de Takaichi foi reconhecido apenas como detalhe de uma personagem retratada como ameaça às pautas woke.
A Reuters enfatizou que ela “se inspira em Margaret Thatcher”, “defende postura firme contra China e Coreia do Norte” e “rejeita o casamento gay”.
Palavras como “ultranacionalista” e “falcão” dominaram os títulos de jornais. A narrativa predominante reduziu a conquista política a um alerta sobre conservadorismo, em vez de apresentar a nova líder japonesa como sinal de avanço das pautas que supostamente defendem.
Nas redes sociais, o tom foi o mesmo. Militantes progressistas acusaram Takaichi de “reforçar o patriarcado” e ironizaram sua eleição com frases como “é mulher, mas não a mulher certa”.
Nenhuma organização feminista internacional ou figura pública da esquerda celebrou o marco.
Esse comportamento da esquerda identitária não é novidade. Intelectuais como Camille Paglia, feminista histórica, alertam há anos que o feminismo foi sequestrado por uma vertente autoritária, preocupada menos com igualdade e mais com controle ideológico.
Paglia afirma que “o feminismo perdeu o senso de humor, a perspectiva e o contato com a realidade biológica”.
Já a escritora J.K. Rowling, autora de Harry Potter, tornou-se alvo de ataques após defender que “mulheres existem como realidade biológica, não como identidade de sentimento”.
Ambas apontam o mesmo desvio: o movimento que antes lutava por direitos iguais agora celebra homens biológicos em competições e espaços femininos, transformando suas pautas numa numa caricatura grotesca do que já foi.
No Brasil, o episódio ficou evidente durante o programa GloboNews Debate. Manuela D’Ávila, ex-deputada do PCdoB, declarou: “Mulheres que não defendem mulheres acabam frustrando. É importante uma mulher ocupar um espaço de poder, mas é ainda mais importante uma pessoa comprometida com as mulheres ocupar esse espaço”.
A fala sinuosa evidenciou o pensamento que dominou o noticiário: a “representatividade” só é válida quando serve à pauta de esquerda.
Casos anteriores mostram o mesmo padrão. Jacinda Ardern e Kamala Harris foram recebidas com entusiasmo e manchetes celebratórias. Já Giorgia Meloni e Margaret Thatcher, assim como agora Sanae Takaichi, foram descritas como perigo às causas progressistas, um elogio involuntário.
A eleição de Takaichi revelou a contradição de um movimento que se diz inclusivo, mas rejeita a diversidade de pensamento.
A imprensa progressista e o movimento woke, que costuma erguer bandeiras em nome da igualdade, mostrou que só a desfralda quando quem vence pensa igual.
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Comentários (2)
F-35- Hellfire
25.10.2025 14:37Não importa o sexo do 1º ministro. O que importa são os seus valores humanitários como honestidade, bondade, rigor contra os imorais, os corruptos e anti-éticos. Margareth Tatcher é um bom exemplo a ser seguido. Boa sorte ao Japão e à Sanae Takaichi, que Deus os abençoe!
Eliane ☆
24.10.2025 15:55Desejo sucesso à primeira -ministra ,Takaichi. E beijo no ombro às "feministas " progressistas.