Colômbia condena envolvido na morte de Miguel Uribe
Cúmplice que transportou atirador recebe pena de 21 anos de reclusão; mandante do crime político ainda não foi identificado
Carlos Mora González foi sentenciado a 21 anos de prisão pela justiça colombiana nesta terça-feira, 21, pela participação no ataque a tiros que vitimou o senador Miguel Uribe. O atentado aconteceu em Bogotá, no dia 7 de junho. González transportou o atirador e auxiliou no reconhecimento do local em troca de um pagamento de 5 milhões de pesos, cerca de US$ 1.280.
Detalhes da sentença
Carlos Mora González admitiu a responsabilidade em relação ao ataque contra o político, que tinha 39 anos e veio a óbito em agosto, após semanas internado em estado crítico.
O indivíduo sentenciado atuou como auxiliar no planejamento. Ele conduziu o atirador, um adolescente que recebeu uma pena de sete anos de reclusão no início do mês.
A atuação de González era tida como essencial para a execução do plano criminoso. O Ministério Público colombiano informou que ele “conduziu e disponibilizou um veículo para reconhecer previamente o local onde o crime foi perpetrado e transportou outros envolvidos no atentado”.
Sua adesão ao esquema era de natureza financeira. A participação de Mora González “foi mediada por uma oferta de 5 milhões de pesos (cerca de US$ 1.280)”, revelou o órgão.
O condenado usava uma função civil para disfarçar atividades ilícitas. Sob a fachada de motorista de aplicativos, ele também teria movimentado “armas e entorpecentes”.
Histórico de atentados políticos
A investigação prossegue com o objetivo de determinar quem ordenou a morte do senador Uribe. O autor intelectual do assassinato ainda não foi identificado pelas autoridades.
Quatro outros indivíduos suspeitos de envolvimento no caso estão detidos no momento. As suspeitas de autoria logística recaem sobre José Arteaga Hernández, conhecido pela alcunha de “El Costeño”.
O assassinato de Uribe trouxe à memória do país o histórico de violência política que marcou a Colômbia nos anos 1980. O ocorrido levou à suspensão da corrida presidencial colombiana, que estava em sua fase inicial. O senador se destacava pela oposição a Gustavo Petro.
Em agosto, o pai do senador falecido, Miguel Uribe Londoño, anunciou a intenção de assumir a pré-candidatura. Ele concorrerá pelo Centro Democrático nas eleições presidenciais previstas para 2026.
O Centro Democrático, principal legenda de direita na Colômbia, definirá seu candidato final por meio de seleção interna. Este processo está programado para ocorrer entre dezembro e março do próximo ano.
Uribe Londoño é viúvo da jornalista Diana Turbay, mãe de Miguel. A jornalista foi sequestrada por um grupo vinculado ao cartel de Medellín, e foi morta em 1991, durante uma tentativa de resgate.
A história do sequestro de Diana Turbay é narrada por Gabriel García Márquez (1927-2014) em seu livro Notícia de um Sequestro. Naquela época, o senador Miguel Uribe tinha cinco anos.
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