Bebidas adulteradas com metanol saíram de fábrica no ABC, diz delegado-geral de SP
Polícia desmantela fábrica clandestina de bebidas em SP, origem de todos os produtos contaminados no estado
A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, nesta sexta-feira, 17. O esquema é investigado como a fonte de todos os produtos contaminados por metanol distribuídos no estado.
A operação, que prendeu Vanessa Maria da Silva, apontada como a principal responsável, e seus familiares, fechou o primeiro ciclo da cadeia criminosa que resultou em seis mortes e um caso de cegueira em São Paulo. O delegado-geral Artur Dian informou que o insumo tóxico era fornecido por dois postos de combustíveis na região.
Desdobramentos da operação policial
O delegado-geral declarou que a principal hipótese de trabalho é que a totalidade das bebidas adulteradas em São Paulo partiu da fábrica gerida pela família de Vanessa: “Conseguimos estabelecer um grande vínculo de que todas as bebidas saíram, em algum momento, desse círculo familiar que envolve Vanessa. É óbvio que a investigação prossegue. O primeiro ciclo dessa cadeia criminosa foi encerrado com a operação de hoje”.
Dian indicou que o ciclo inicial da cadeia criminosa está encerrado com a operação. Este ciclo inclui a produção clandestina (o núcleo familiar), a aquisição do metanol (postos suspeitos) e a comercialização da bebida contaminada (bares e restaurantes). Até o momento, a polícia descartou a participação da facção criminosa PCC no esquema.
A delegada Isa Lea Abramavicus, da 1ª Delegacia de Polícia, afirmou não haver vínculo com a Operação Carbono Oculto, que investiga o crime organizado no setor de combustíveis. Os agentes chegaram à fábrica ao apurarem a morte de duas vítimas que haviam consumido o produto.
Entre as vítimas está Ricardo Lopes, de 54 anos, que faleceu em 16 de setembro após passar mal quatro dias antes. Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos, também foi identificado como vítima fatal. Ambos ingeriram a bebida adulterada no Bar Torres, localizado na Mooca, zona leste de São Paulo, que já foi interditado pela Vigilância Sanitária.
A gerência do Bar Torres comunicou que colabora com as autoridades. O estabelecimento defende que todos os seus produtos são originais e adquiridos apenas de fornecedores oficiais com nota fiscal, garantindo a procedência.
Da aquisição de metanol aos óbitos
Embora existam quatro outras mortes em apuração, a origem de duas já foi comprovada, além de um caso de cegueira, ambos relacionados à fábrica. A fábrica de Vanessa distribui para vários pontos: “A principal hipótese é que a fábrica da Vanessa que distribui para a maioria dos lugares. Nós já constatamos três lugares que ela distribui, outros estão sendo checados. Temos mais quatro casos, alguns em São Bernardo, em Osasco. Não é uma quantidade enorme de mortes, são seis mortes, o que é extremamente grave, mas duas a gente já comprovou que saiu dali e uma pessoa que está cega, também”, afirmou Dian.
O metanol era misturado ao etanol para criar a bebida adulterada. O etanol contaminado era comprado nos dois postos de combustíveis no ABC Paulista, os quais foram identificados por meio de relações financeiras com o núcleo familiar. O delegado-geral confirmou a apreensão do material: “O combustível que estava na casa da Vanessa foi comprado nesses postos de gasolina e foi constatado que essas bombonas continham etanol com metanol”.
O Ministério da Saúde informou que o número de casos confirmados de intoxicação por metanol no Brasil subiu para 41 até a quarta-feira, dia 15, com um aumento de 32 casos no início da semana.
As fatalidades pela substância tóxica em todo o país totalizaram oito, incluindo duas novas mortes em Pernambuco e uma em São Paulo.
Assim, o estado paulista contabiliza seis óbitos por intoxicação por metanol. As autoridades ainda não correlacionaram o esquema de São Paulo com ocorrências em outros estados.
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