Crise dos carros elétricos atinge montadoras nos EUA
Crédito federal de US$ 7,5 mil acabou em setembro; vendas recuam, Ford adia projetos e GM registra US$ 1,6 bi em perdas
O setor de carros elétricos nos Estados Unidos entrou em crise após o fim do crédito federal de até US$ 7,5 mil por veículo em segunda, 30 de setembro.
A General Motors informou à comissão de valores dos EUA que registrará US$ 1,6 bilhão em encargos ligados aos elétricos. A retração da demanda e os adiamentos de projetos indicam mudança de fase, segundo dados de mercado e notas oficiais.
O benefício foi extinto pela lei aprovada pelo Congresso e sancionada no governo Donald Trump, com data-limite de 30 de setembro, conforme o Serviço de Receita Interna (IRS). O abatimento havia sido criado na gestão Joe Biden para reduzir o preço final dos elétricos e estimular as compras.
Com o fim do crédito, a diferença média de preço entre um elétrico e um carro a combustão voltou a pesar. Segundo a Kelley Blue Book, o valor médio de um veículo novo superou US$ 50 mil em setembro. A Experian calcula a prestação mensal média em US$ 749 para carros novos no segundo trimestre.
A GM detalhou que os US$ 1,6 bilhão somam US$ 1,2 bilhão em desvalorização de ativos e US$ 400 milhões por cancelamento de contratos, segundo documento enviado à SEC. A empresa afirmou que seguirá revisando investimentos em fábricas e baterias e mantém, por ora, a meta de 2035 para a transição da frota leve.
As vendas de elétricos caíram 6,3% no segundo trimestre na comparação anual, de acordo com a Cox Automotive. A Tesla, líder do segmento, reportou queda de quase 13% nas entregas globais do período e projetou trimestres desafiadores, conforme comunicados da própria companhia.
A Ford adiou para 2028 a produção do novo pickup elétrico no complexo BlueOval City, no Tennessee, e da próxima geração da van elétrica em Ohio. A montadora justificou a mudança como necessidade de ajustar o ritmo à demanda, em nota divulgada em agosto.
Os dados reforçam um ajuste amplo no setor. Sem subsídio, montadoras priorizam redução de custos e escalonamento de lançamentos. Analistas consultados por casas de pesquisa do mercado apontam que a lucratividade dos elétricos depende de cortes no custo de bateria, maior utilização de fábricas e rede de recarga mais confiável.
O contraste com a Ásia é nítido. Na China, veículos de nova energia já superam os a combustão desde 2024, segundo entidades do setor e dados oficiais. A competição entre fabricantes locais pressionou preços e ampliou participação de mercado.
Outros países também reviram metas. O governo canadense iniciou revisão de prazos e parâmetros para 2035. No Reino Unido, o gabinete flexibilizou alvos intermediários e manteve a permissão de híbridos até 2035, segundo comunicados oficiais.
Nos Estados Unidos, a ausência do crédito federal expôs a dependência do segmento de estímulos públicos.
O próximo trimestre medirá o quanto a demanda se sustenta com preço, infraestrutura e produto — não só com incentivos, como reconhecem relatórios de mercado e as próprias montadoras em seus documentos regulatórios.
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