Crusoé: Governo francês sobrevive a duas moções de censura
'Trégua' com socialistas foi alcançada após suspensão da reforma da previdência
Poucos dias depois de ser reconduzido ao cargo de primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu (foto), que havia apresentado sua demissão em 6 de outubro, sobreviveu a duas moções de censura no Parlamento, graças a um acordo temporário com os socialistas, que lhe deram uma “trégua” após ele suspender a impopular reforma da previdência de Macron e prometer não usar poderes constitucionais especiais para aprovar o orçamento sem votação parlamentar.
A primeira moção do Partido de Esquerda não conseguiu obter a maioria necessária na Assembleia Nacional. Apenas 271 dos 577 membros do parlamento retiraram sua confiança no gabinete; pelo menos 289 votos seriam necessários para uma votação bem-sucedida.
O governo também não foi derrubado na segunda votação de uma moção separada dos nacionalistas de direita. Ela foi apoiada por 144 membros do parlamento. 289 votos seriam necessários para que a moção fosse aprovada.
Lecornu anunciou na terça-feira, 14 de outubro, que suspenderia a controversa reforma da previdência do presidente Emmanuel Macron, garantindo assim o apoio dos socialistas com essa concessão à oposição.
Eles exigiram a suspensão da reforma e a impuseram como condição para tolerar o novo governo. Os conservadores também prometeram apoio a Lecornu antecipadamente.
Após o fracasso da segunda moção de censura, o governo e o parlamento podem iniciar as difíceis deliberações sobre um orçamento de austeridade, apresentado pelo primeiro-ministro na terça-feira.
O sindicato CGT já anunciou protestos para 6 de novembro por acreditar que o projeto de orçamento será prejudicial aos aposentados do país. Um novo debate no parlamento também está agendado sobre o futuro a longo prazo do sistema previdenciário.
Um novo começo bem-sucedido: Lecornu é visto como a última chance de Macron sobreviver ao seu segundo mandato, que vai até 2027, sem sofrer uma perda de reputação ainda mais profunda.
Ele tem sido alvo de críticas crescentes durante a crise recente. Partes da oposição pedem sua renúncia, e o descontentamento também se espalhou entre suas próprias fileiras.
Crise política
Sébastien Lecornu é o atual primeiro-ministro da França, tendo sido nomeado inicialmente em 9 de setembro de 2025 pelo presidente Emmanuel Macron, após a queda…
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