“China apontou uma bazuca para o mundo livre”, diz secretário do Tesouro dos EUA
Scott Bessent ameaça reação dura se China mantiver restrições a ímãs de terras raras
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda, 13, que o país iniciou contatos com autoridades chinesas para tentar evitar uma nova guerra comercial.
A iniciativa ocorre após o presidente Donald Trump ameaçar impor tarifa de 100% sobre produtos chineses a partir de sexta, 1º de novembro, caso o governo chinês não suspenda as restrições à exportação de ímãs de terras raras.
O secretário disse que pretende se reunir na Ásia com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng antes do encontro entre Trump e Xi Jinping.
Segundo Scott Bessent, a relação entre as duas potências segue “em boa forma”, mas a China precisa recuar da decisão que ameaça cadeias industriais globais. O Tesouro avalia que a medida pode ter sido tomada por “níveis inferiores” da burocracia chinesa, e não por Xi.
Em tom duro, o secretário afirmou que “a China apontou uma bazuca para as cadeias de suprimentos do mundo livre” e que os Estados Unidos “não vão aceitar isso”. Disse também que “um grupo de burocratas não pode ditar o funcionamento da economia global”. A Casa Branca manteve a ameaça de tarifas e não descarta cancelar o encontro presidencial se não houver avanço.
O Tesouro alertou que o governo americano prepara novas medidas caso a China não recue. Entre as opções estão restrições em software, minerais e serviços financeiros, além da possível expulsão de estudantes chineses que vivem nos Estados Unidos. Scott Bessent afirmou que o país tem “muitas ferramentas” para reagir e espera apoio da Europa, da Índia e de democracias asiáticas.
A tensão começou quando o governo chinês anunciou limites à exportação de ímãs de terras raras, usados em veículos elétricos, turbinas e equipamentos militares. Para os americanos, a medida ameaça a segurança das cadeias produtivas e amplia a dependência mundial da indústria chinesa. Trump respondeu com a ameaça tarifária e sinalizou novas sanções se não houver recuo.
Scott Bessent lembrou que o governo americano já aplicou 12 medidas de retaliação ao longo do ano, consideradas “altamente eficazes”, atingindo desde insumos petroquímicos até motores a jato. As declarações desta segunda aumentaram a incerteza nos mercados, que caíram na sexta, 10, diante do risco de uma nova rodada de tarifas entre as duas maiores economias do planeta.
A reunião entre Trump e Xi está prevista para ocorrer na Coreia do Sul. Assessores trabalham para alcançar um entendimento antes da data. A meta é dar previsibilidade às cadeias produtivas e evitar que o impasse sobre os ímãs de terras raras se transforme em um novo confronto comercial de grande escala.
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