OMS alerta sobre propagação de superbactérias resistentes a antibióticos
"A resistência aos antimicrobianos supera os avanços da medicina moderna, ameaçando a saúde das famílias em todo o mundo", alerta Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) soou o alarme na segunda-feira, 13 de outubro, diante da forte propagação de bactérias resistentes a antibióticos, que comprometem a eficácia de tratamentos vitais e tornam potencialmente mortais ferimentos menores e infecções comuns.
Em um novo relatório, a agência das Nações Unidas para a saúde alertou que, em 2023, uma infecção bacteriana em seis confirmadas em laboratório no mundo apresentava resistência a antibióticos.
“Esses resultados são profundamente preocupantes”, alertou à imprensa Yvan Hutin, chefe do departamento de Resistência a Antimicrobianos da OMS. “À medida que a resistência a antibióticos continua a crescer, estamos ficando sem opções terapêuticas”.
As superbactérias
As bactérias vêm desenvolvendo resistência aos medicamentos projetados para combatê-las há muito tempo, tornando muitos medicamentos ineficazes.
Esse fenômeno foi acelerado pelo uso massivo de antibióticos para tratar humanos, animais e na alimentação, permitindo que a resistência aos antimicrobianos (RAM) se desenvolvesse e se tornasse uma das principais causas de mortalidade infecciosa no mundo.
Segundo a OMS, as superbactérias resistentes aos antimicrobianos são diretamente responsáveis por mais de um milhão de mortes e contribuem para cerca de cinco milhões de mortes todos os anos.
Em seu relatório sobre vigilância da RAM, a agência examinou as estimativas de prevalência da resistência para 22 antibióticos usados no tratamento de infecções urinárias e gastrointestinais, infecções sanguíneas e gonorreia. A resistência aos antibióticos aumentou mais de 40%.
Apenas entre 2018 e 2023, a resistência aos antibióticos aumentou mais de 40% em relação aos antibióticos monitorados, com um aumento anual médio variando entre 5 e 15%, segundo o relatório.
Para infecções urinárias, a resistência aos antibióticos comumente utilizados era geralmente superior a 30% em nível global.
O relatório analisou oito patógenos bacterianos comuns, incluindo E.coli e K.pneumoniae, que podem causar infecções sanguíneas graves levando frequentemente à sepse, falência orgânica e morte.
A OMS alertou que mais de 40% das infecções por E.coli e 55% das infecções por K.pneumoniae no mundo agora são resistentes às cefalosporinas de terceira geração, o tratamento geralmente preferido para essas infecções.
“A resistência aos antimicrobianos supera os avanços da medicina moderna, ameaçando a saúde das famílias em todo o mundo”, alerta Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
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