Ellen Langer, psicóloga de Harvard: “Os eventos não causam estresse, é a forma como os vemos que causam”
Esta perspectiva desafia a forma tradicional como muitos compreendem e lidam com o estresse.
Ellen Langer, uma das principais vozes no estudo da consciência plena e psicóloga de Harvard, destaca a importância da percepção individual no desenvolvimento do estresse.
Segundo Langer, o estresse não é causado pelos eventos em si, mas pela maneira como os interpretamos. Esta perspectiva desafia a forma tradicional como muitos compreendem e lidam com o estresse.
Argumenta que frequentemente exacerbamos situações sem necessidade. Langer sugere que, diante de momentos de pressão, as pessoas devem se perguntar: “É uma tragédia ou um inconveniente?“.
Muitas vezes, as questões cotidianas não são tragédias, mas pequenos contratempos. Este tipo de reflexão permite que indivíduos respirem aliviados e encontrem um equilíbrio emocional.
Como a percepção influencia o estresse?
De acordo com Langer, o estresse se alimenta de duas crenças principais: a certeza de que algo ruim irá acontecer e de que, quando acontecer, será devastador.
Ao identificar e questionar essas crenças, é possível reduzir sensações de ansiedade. Ela recomenda que se desenvolvam argumentos racionais que desafiem as previsões catastróficas, o que ajuda a diminuir a sensação de alarme.
Qual o papel da narrativa interna?
Langer enfatiza que modificar a narrativa interna, ou seja, a maneira como os pensamentos são estruturados, pode auxiliar no controle da ansiedade.
Em vez de ficar preso a cenários negativos futuros, é vital manter uma visão mais realista e maleável dos eventos. Tal mudança de perspectiva promove uma recuperação do controle mental e favorece o bem-estar.

A atenção plena pode ser benéfica?
A psicóloga não defende a eliminação dos pensamentos negativos, mas a compreensão e observação destes. Propõe transformar a preocupação em curiosidade, encorajando uma avaliação ativa e atenta dos sintomas vivenciados.
Este princípio, que Langer denomina como “atenção à variabilidade dos sintomas”, possibilita que pacientes identifiquem flutuações em seus estados de saúde, ao invés de perceberem apenas uma contínua piora.
- Entrar em contato regularmente com suas emoções.
- Considerar as variações positivas em sintomas ou sentimentos.
- Permanecer mentalmente ativo buscando razões para as mudanças percebidas.
Langer afirma que este método não apenas melhora a saúde mental dos pacientes, mas também estimula a atividade cerebral, o que pode ter efeitos positivos para a saúde geral.
Em sua prática clínica, ela demonstra que este tipo de atenção consciente empodera o paciente, contribuindo para uma sensação de autoeficácia e melhora a gestão do estresse.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)