FDI encerram combates e passam a manter posições apenas defensivas em Gaza
Trégua aprovada por Netanyahu inicia contagem de 72h para libertação dos reféns e prevê entrada de 400 caminhões de ajuda humanitária por dia
O governo israelense aprovou nas primeiras horas desta sexta (10) o cessar-fogo com o Hamas, que marca o início da primeira fase do plano de paz de 20 pontos proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A trégua entrou em vigor ao meio-dia local (6h em Brasília), quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o fim das operações de combate e a transição para posições defensivas fixas dentro da Faixa de Gaza.
Segundo comunicado militar, as unidades do Comando Sul estão posicionadas nas novas linhas de implantação e permanecerão em alerta para reagir a qualquer ameaça imediata. O acordo prevê que o Hamas liberte 48 reféns em até 72 horas, sendo 20 vivos e 28 mortos.
As FDI continuam controlando cerca de 53% do território de Gaza, incluindo toda a zona tampão ao longo da fronteira, o corredor de Filadélfia na divisa com o Egito, partes de Beit Hanoun e Beit Lahiya no norte, uma colina a leste da Cidade de Gaza e grandes áreas de Rafah e Khan Younis no sul.
Após o anúncio da trégua, centenas de palestinos começaram a retornar ao norte de Gaza pela estrada costeira al-Rashid. O coronel Avichay Adraee, porta-voz árabe das FDI, orientou que o trânsito entre norte e sul ocorra apenas pelas rotas autorizadas, a estrada Rashid e a rodovia Salah a-Din. Ele alertou que é extremamente perigoso se aproximar de áreas onde há presença de tropas.
O oficial também proibiu pesca, natação e mergulho na costa de Gaza nos próximos dias. Em Khan Younis, moradores deslocados voltaram a bairros esvaziados, mas as FDI mantêm bloqueios e controle militar em regiões estratégicas.
O governo israelense aprovou ainda uma mudança de última hora na lista de prisioneiros palestinos a serem libertados. Onze nomes ligados ao Fatah foram substituídos por 11 do Hamas. Entre os novos incluídos está Mahmoud Issa, preso desde 1993 pelo sequestro e assassinato de Nissim Toledano em 1992.
Ao todo, Israel deve libertar cerca de 2.000 prisioneiros, entre eles 250 que cumprem prisão perpétua e 1.700 detidos após os ataques de 7 de outubro de 2023. Em troca, o Hamas libertará todos os reféns e entregará os corpos das vítimas.
O acordo também abre a passagem diária de 400 caminhões de ajuda humanitária nos primeiros cinco dias, com aumento gradual. Uma força multinacional de 200 militares, sob coordenação dos Estados Unidos e com participação de Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos, supervisionará o cumprimento da trégua.
A Cruz Vermelha pediu que as trocas e as entregas de ajuda ocorram com segurança e dignidade e cobrou a retomada urgente da assistência civil.
Benjamin Netanyahu fará uma declaração à imprensa às 13h locais (7h em Brasília), sem perguntas. Na reunião do gabinete, ele afirmou que Israel está prestes a alcançar o retorno dos reféns e descreveu o acordo como vitória diplomática e moral. Ministros da direita radical, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, votaram contra e ameaçaram romper com o governo.
Mesmo após o início do cessar-fogo, fontes em Gaza relataram cinco feridos em uma escola usada como abrigo em Jabalia, no norte. O ataque é atribuído a Israel, mas as FDI ainda não comentaram o caso.
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou a venezuelana María Corina Machado como vencedora do Prêmio da Paz de 2025 por sua luta pelos direitos democráticos. O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos divulgou nota de apoio a Trump, afirmando que nenhum líder fez mais pela paz no mundo.
O acordo representa o maior avanço desde o início da guerra, há dois anos, que deixou mais de 67 mil mortos e destruiu Gaza. As próximas etapas do plano de Trump devem tratar do desarmamento do Hamas e da administração futura do território.
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