Barroso defende transmissões ao vivo do STF: “Exposição pública”
"Quando o ministro vota, ele vota para os seus colegas, tentando demonstrar os argumentos do seu voto, mas ele também para o público", afirmou
O ministro Luís Roberto Barroso (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça, 7, que os magistrados da Corte possuem um nível de “exposição pública e visibilidade” diferente de qualquer outro país, em razão da transmissão ao vivo das sessões de julgamento.
“A transmissão pela televisão dá uma exposição pública e uma visibilidade aos ministros completamente diferente do que se vê em qualquer outra parte do mundo. O que faz com que, de certa forma, quando o ministro vota, ele vota para os seus colegas, tentando demonstrar os argumentos do seu voto, mas ele também vota para o público que o está assistindo, para que possa compreender o que está se passando”, disse Barroso durante um debate sobre judicialização excessiva em São Paulo, a convite do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
Barroso também comentou o escopo de atuação do Supremo, que é criticado por supostamente invadir a seara do Poder Legislativo.
“Eu fiz a minha listinha aqui, olha. União entre pessoas do mesmo sexo, direitos LGBTQIA+, cotas universitárias, desmatamento da Amazônia, aborto, política de drogas, ataques à democracia, regulamentação de rede social, medidas da pandemia, terceirização, julgamentos criminais de políticos, aula de religião na escola pública. Ou seja, o Supremo decide as questões mais divisivas da sociedade brasileira. Não há salvação, e grupos socialmente relevantes vocalizam esse desagrado por todas as mídias possíveis”.
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“Hora de entrar e de sair”
Barroso afirmou na segunda, 6, que está encerrando sua carreira na Corte.
A declaração foi proferida no fórum Ruy Barbosa, parte de um encontro do Consepre (Conselho de Presidentes de Tribunais de Justiça).
Durante o discurso, o magistrado descreveu aquele momento como especial e de grande alegria. Ele utilizou a capital baiana como ponto de referência para sua trajetória no tribunal: “Eu comecei a minha carreira no Supremo aqui [na Bahia], e de certa forma estou terminando a minha carreira no Supremo aqui também”.
Em seguida, ele ponderou sobre a natureza da vida pública: “A vida é feita de muitos ciclos e a gente deve saber bem a hora de entrar e a hora de sair”. Barroso presidiu o STF entre 2023 e 2025.
Ele esclareceu a interlocutores, logo após o discurso, que a menção se referia ao fim de sua gestão na presidência do Supremo, e não à sua permanência como ministro.
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Comentários (1)
Marian
07.10.2025 17:22Pois é, essa exposição deu no que deu.