Judeus britânicos se revoltam com Starmer e seu vice, após terror em Manchester

08.10.2026

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Felipe Moura Brasil
8 minutos de leitura 04.10.2025 12:00 comentários
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Judeus britânicos se revoltam com Starmer e seu vice, após terror em Manchester

Primeiro-ministro faz apelos contra atos “pró-Palestina”, a fim de conter danos, mas situação nas ruas e no debate público é de ebulição. Polícia diz não ter recursos para dar conta

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Judeus britânicos se revoltam com Starmer e seu vice, após terror em Manchester
Reprodução: X

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (foto), que havia anunciado em setembro o reconhecimento do Estado da Palestina, apelou neste sábado, 4, aos grupos “pró-Palestina” que respeitem a dor dos judeus após o ataque do dia 2 a uma sinagoga de Manchester e não alimentem a tensão com novos protestos de rua.

“Peço a todos que estejam pensando em protestar neste fim de semana que reconheçam e respeitem a dor dos judeus britânicos.

Este é um momento de luto. Não é hora de alimentar a tensão e causar ainda mais dor. É hora de nos unirmos.

Somos um país que acolhe todas as pessoas, independentemente de sua fé, para que fiquem sob a mesma bandeira como vizinhos e amigos.

É isso que somos e sempre seremos. Ódio e violência nunca vencerão”, publicou Starmer nas redes sociais.

A jornalista britânica Nicole Lambert, que combate o antissemitismo, comentou a publicação do primeiro-ministro: 

“Não se trata de um fim de semana de protestos. Trata-se de dois anos de ódio.”

O pedido da polícia

O apelo de Starmer veio na esteira da recusa dos organizadores de atos “pró-Palestina” de atender a um pedido da Polícia Metropolitana de Londres para adiar a marcha realizada neste sábado, 4.

“O horrível ataque terrorista que ocorreu em Manchester ontem [dia 2] terá causado medo e preocupação significativos em comunidades em todo o Reino Unido, inclusive aqui em Londres.

No entanto, em um momento em que queremos enviar todos os oficiais disponíveis para garantir a segurança dessas comunidades, temos que nos planejar para um ato com mais de 1.000 pessoas na Trafalgar Square no sábado em apoio a uma organização terrorista.

Ao optar por incentivar a quebra de leis em massa nessa escala, a organização ‘Defend Our Juries’ está retirando recursos das comunidades de Londres em um momento em que eles são mais necessários.

Pedimos que eles façam a coisa responsável e atrasem ou cancelem seus planos”, publicou a conta oficial da Polícia Metropolitana na sexta-feira, 3.

As vaias ao vice 

O vice-primeiro-ministro do Reino Unido, David Lammy, foi vaiado e fortemente criticado na sexta-feira, 3, pela comunidade judaica presente nas ruas de Manchester em uma vigília, realizada para demonstrar força coletiva contra o ódio do ataque terrorista antissemita que deixou dois mortos e três feridos.

“Você devia se envergonhar!”, “Vá para a Palestina!”, “Você não é bem-vindo aqui!”, gritavam judeus britânicos diante do palanque de Lammy, que tentou discursar chamando-os de “amigos”.

Assim como ocorreu nas redes com Starmer, a revolta se deve ao entendimento de que a gestão do primeiro-ministro traiu a comunidade judaica e recompensou o Hamas pelos ataques de 7 de outubro de 2023 ao anunciar o reconhecimento do Estado da Palestina, sem que o grupo terrorista tivesse aceitado acordos de paz e libertado todos os reféns. (Relembre aqui e aqui).

O Partido Trabalhista de Starmer e Lammy, ideologicamente à esquerda, também foi criticado por suas políticas de imigração que alegadamente permitiram a concessão de passaporte britânico a um jihadista chamado Jihad, autor do ataque.

Jihad Al-Shamie, de 35 anos, foi morto pela polícia após atropelar fiéis e tentar invadir com uma faca a sinagoga da Congregação Hebraica de Heaton Park, no distrito de Crumpsall, em Manchester.

Ele é filho de Faraj Al-Shamie, que, como mostramos, exaltava Hitler e terroristas do Hamas nas redes, tendo celebrado os ataques de 7/10 contra Israel.

O “fomento” do terror

“Nunca vi minha comunidade tão furiosa”, disse Nicole Lampert ao canal GB News no dia 3.

“Estou chocada de ver isso tão palpável, embora não surpresa, pois vínhamos alertando há dois anos, até mais. Obviamente, Lammy fazia parte do governo trabalhista. Ele propôs Jeremy Corbyn como líder. Keir Starmer estava no governo. São pessoas que se reuniram com uma organização antissemita. E desde que assumiram o governo, ou até antes, os conservadores também permitiram que essas marchas de ódio continuassem com apelos para matar judeus e globalizar a Intifada.

Foi isso que aconteceu. E diante dos apelos para erradicar Israel, que ouvimos nas ruas de Manchester ontem [dia 2] à noite, onde eles estavam? O que eles fizeram? 

Todos estão cansados de palavras e platitudes. Não queremos mais isso. O que queremos é o fim de atos de apoio ao terror em nossas ruas. E não queremos que eles apenas digam às pessoas que vão protestar no sábado: ‘Por favor, não vão. Pode ser ofensivo.’ Queremos que digam: ‘Se você for e apoiar uma organização terrorista’, como eles designaram a ‘Palestine Action’ [Ação Palestina], ‘você será preso e terá todo o peso da lei contra você, como aconteceu com outras pessoas.’

Vimos imagens lá [da visita à vigília]. Parece que [as parlamentares] Angela Rayner e Lucy Power estavam um pouco desgrenhadas na chuva, na multidão. Então o Partido Trabalhista apareceu. Acho que a comunidade se manifestou.

Espero que ouçam a raiva e a fúria, porque acabei de falar com alguém que estava cuidando de um dos reféns. Ela esteve em uma reunião com Keir Starmer e disse: ‘É como se eles não entendessem a ameaça que enfrentamos. Eles não entendem o terrorismo.’ E eu pessoalmente não entendo como eles podem não entender isso.

Temos enfrentado terrorismo neste país. Tivemos terrorismo islâmico. A lição que todos devemos aprender é não ceder. Deve ser combatido. É o que Israel está fazendo. Não estamos aqui para discutir Israel, mas é tudo a mesma coisa. Lutamos contra o terrorismo, mas permitimos que fosse apaziguado aqui. Foi fomentado pelo Partido Trabalhista.

Parlamentares trabalhistas foram atacados por islamistas. Tivemos locais vandalizados. Isso afetou principalmente a comunidade judaica, mas também esses parlamentares. Que viram isso claramente durante a última eleição. Eles sabem que existe, mas fingem que não, achando que palavras bonitas resolverão tudo. Isso não vai acontecer. Se nada for feito, isso não vai desaparecer”, concluiu Lampert.

Sediada no Reino Unido e designada em julho de 2025 pelo governo como organização terrorista, a Ação Palestina foi criada em 30 de julho de 2020, quando extremistas invadiram e picharam o interior da sede londrina da Elbit Systems, fabricante de armas de Israel.

Os cofundadores são Huda Ammori, filha de pai palestino e mãe iraquiana, e Richard Barnard, um ativista de esquerda de longa data. Eles então declararam o objetivo de “acabar com a participação global no regime genocida e de apartheid de Israel”.

A nota do prefeito

O prefeito de Londres, Said Khan, também do Partido Trabalhista, emitiu nota no dia 3, defendendo união contra o “veneno do antissemitismo”.

“Após o hediondo ataque terrorista na Sinagoga de Heaton Park, sei que muitos na comunidade judaica de Londres estarão com medo. Meus pensamentos estão com as famílias de Adrian Daulby e Melvin Cravitz neste momento terrível.

Locais de culto devem ser santuários e refúgios seguros para todos. Ninguém deve sentir medo de frequentar sua sinagoga, igreja, mesquita, gurdwara ou templo.

À medida que nos dirigimos para o fim de semana, haverá um aumento na presença policial dentro e ao redor das sinagogas em toda a capital.

Nossas comunidades judaicas devem ser capazes de viver e adorar, livres do medo de assédio, discriminação, intimidação ou violência. O fato de eles não poderem fazer isso é totalmente inaceitável.

É claro que há muito mais a fazer para livrar nossa sociedade do veneno do antissemitismo, e devemos redobrar nossos esforços para erradicar esse ódio vil onde quer que ele tenha sua cabeça feia.

Agora, mais do que nunca, os londrinos de todas as comunidades devem ficar juntos, mostrar aliança aos nossos amigos e vizinhos judeus e estar unidos em nossa rejeição do ódio.”

Os atos “pró-Palestina”

Polícia Metropolitana de Londres publicou as seguintes mensagens no X, na manhã deste sábado, 4:

“Continuamos pedindo àqueles que pensam em ir à Trafalgar Square para cometer crimes em apoio à Ação Palestina que reconsiderem pelos motivos expostos abaixo.

Um grupo de seis pessoas desfraldou uma faixa em apoio à Ação Palestina na Ponte de Westminster.

Os policiais chegaram rapidamente ao local, a faixa foi removida e as seis pessoas envolvidas foram presas por apoiar uma organização proibida.

Os policiais começaram a fazer prisões na Trafalgar Square, onde as pessoas estão exibindo cartazes em apoio à Ação Palestina.

A praça está movimentada, mas algumas pessoas na multidão parecem estar observando/apoiando, mas não carregando cartazes.”

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