Rodolfo Borges na Crusoé: Há virtude no egoísmo do Flamengo?
Nem a provocativa obra de Ayn Rand endossa a revolta de BAP contra a divisão das cotas de televisão
O Flamengo resolveu comprar briga com seus parceiros na Libra, uma das ligas de futebol em formação no Brasil. O presidente Luiz Eduardo Baptista, vulgo BAP, não gostou do acordo firmado pelo próprio clube para divisão das cotas de televisão e conseguiu na Justiça do Rio de Janeiro bloquear a distribuição de uma das parcelas dos pagamentos, de 77 milhões de reais.
O São Paulo protestou, dizendo que “a atual gestão do Flamengo parece não compreender que é responsável pelos contratos herdados”. Já a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, sugeriu criar uma liga excluindo o Flamengo: “Acho que seria bonito nós formarmos uma nova liga excluindo o Flamengo, e aí o Flamengo joga com ele mesmo. Quero ver a audiência que vai ter”.
Já falei sobre o posicionamento egoísta de BAP sob a ótica de Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e a conclusão não foi nada favorável ao Flamengo, e muito menos ao futebol brasileiro. Será que a situação fica mais favorável para o presidente rubro-negro sob a ótica de Ayn Rand, que publicou um livro intitulado A Virtude do Egoísmo?
Objetivismo
A filósofa russo-americana, que fugiu do regime soviético na década de 1920, reuniu no livro palestras e artigos elaborados para defender a perspectiva americana contra o comunismo. “A ética objetivista considera a vida do homem como o padrão de valor — e sua própria vida como o propósito ético de cada indivíduo”, resume Rand.
Ela defende uma sociedade na qual o egoísmo é o principal valor, à frente do altruísmo, que anula os indivíduos ao promover o coletivismo. Quer dizer, se cada um cuidar de si, se cada um tentar buscar a própria felicidade, como os founding fathers americanos preconizaram, todos irão prosperar.
Como lembrou a presidente do Palmeiras, contudo, o Flamengo não tem valor sozinho. Ainda que tenha a maior torcida do Brasil — formada pela competência do clube, mas também por uma conjuntura que o beneficiou, exatamente pela transmissão de TV e rádio para além das fronteiras do Rio de Janeiro —, o time rubro-negro depende dos adversários.
Caprichos
“Nem a vida nem a felicidade podem ser alcançadas pela busca de caprichos irracionais. Assim como o homem é livre para tentar sobreviver por quaisquer meios aleatórios, como um parasita, um aproveitador ou um saqueador, mas não é livre para ter sucesso nisso além do alcance do momento — assim ele é livre para buscar sua felicidade em qualquer fraude irracional, qualquer capricho, qualquer ilusão, qualquer…
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