Subsecretário investigado por morte de ex-delegado pede exoneração
Sandro Rogério Pardini pediu desligamento alegando necessidade de se dedicar à família e colaborar com investigações
A Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, publicou nesta sexta-feira, 3, a exoneração de subsecretário de Gestão e Tecnologia, Sandro Rogério Pardini, investigado pela Polícia Civil no âmbito da execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.
De acordo com o Diário Oficial, Pardini solicitou sua própria exoneração, justificando que “é necessário dedicar atenção integral à sua família, profundamente abalada pelos recentes acontecimentos”.
“A Prefeitura de Praia Grande reitera que tem pleno conhecimento das duas frentes de investigação em andamento e entende que seja procedimento da apuração que servidores sejam ouvidos pelas autoridades, podendo colaborar com o esclarecimento dos fatos. Os demais servidores seguem no quadro de funcionários. Ressalta-se que tal circunstância não significa que esses servidores sejam considerados suspeitos”, continua.
A Polícia Civil investiga se o crime foi uma represália ao trabalho de Fontes à frente da Secretaria de Administração ou se estaria ligado ao seu passado de atuação contra o crime organizado.
Ruy Ferraz Fontes foi executado em 16 de setembro, em Praia Grande.
Defesa nega
A defesa do ex-secretário nega que ele tenha participação no assassinato.
“A decisão da exoneração foi tomada de forma ponderada e responsável, com o propósito exclusivo de direcionar todos os seus esforços ao pleno esclarecimento dos fatos que, por ora, envolvem seu nome, bem como dedicar-se integralmente ao cuidado e amparo de sua família neste delicado momento”, diz.
Investigação
Pardini estava entre os cinco funcionários da administração municipal que foram alvos de mandados de busca e apreensão em 29 de setembro.
A Polícia Civil está coletando evidências relacionadas a eventuais irregularidades em contratos firmados com a prefeitura.
Derrite atribui execução ao PCC
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou em 18 de setembro ‘não restar dúvidas’ de que a execução de Ruy Ferraz Fontes pode ser atribuída ao PCC.
“Para nós, não resta dúvida. A dúvida, e a gente não descarta possibilidades, é se a execução foi motivada por conta do combate ao crime organizado durante toda a carreira do delegado ou por conta de uma atuação atual como secretário municipal em Praia Grande. Agora, que há participação do crime organizado, não resta dúvida por conta principalmente do Masquerano [Felipe Avelino da Silva], que é um indivíduo […] que pertence à organização criminosa PCC por conta dos trabalhos de inteligência tanto do DIPOL [Departamento de Inteligência da Polícia Civil] quanto do Centro de Inteligência da Polícia Militar.
Então tem um histórico de relatórios de inteligência [dizendo] que ele exerce inclusive uma função de final da disciplina [nome dado à liderança que dita as regras dentro do PCC], como assim chamado, na região do ABC. Uma função de relevância dentro da organização criminosa. Então não tem como descartar. Isso é um fato. O crime organizado participou da execução. Agora a motivação é que ainda está em aberto, e nós estamos avaliando as duas possibilidades.”