Estas motos clássicas criaram paixões distintas e resistem ao tempo décadas depois
Uma priorizava economia absoluta, outra entregava pura adrenalina.
O Brasil tem uma relação especial com motos clássicas que marcaram gerações. Duas delas continuam conquistando corações décadas depois de seus lançamentos.
A Honda CG 125 e a Yamaha RD 135 são verdadeiros ícones sobre duas rodas que resistem ao tempo e mantêm viva a paixão dos brasileiros.
Honda CG 125: a moto que criou o motociclista brasileiro
Lançada em 1976 como a primeira moto fabricada pela Honda em Manaus, a CG 125 virou sinônimo de motocicleta no Brasil. Sua história começa com um acerto estratégico da marca japonesa.
Diferente das concorrentes, a Honda apostou em uma 125 cc ao invés das populares cinquentinhas da época. Essa decisão transformou o mercado brasileiro para sempre.
O motor monocilíndrico de quatro tempos entregava 11 cavalos de potência e prometia algo revolucionário: robustez incomparável. A fama da Honda já era conhecida pelos brasileiros desde os anos 1960.
Em apenas um ano após o lançamento, a CG 125 já dominava 79% do mercado. O segredo estava na combinação de economia de combustível, manutenção barata e confiabilidade absoluta.
Até hoje, mais de 15 milhões de unidades da linha CG já rodaram pelas ruas brasileiras. A “CGzinha” se tornou a primeira moto de inúmeros brasileiros e permanece como queridinha nacional.

Por que a CG 125 conquistou gerações inteiras?
A simplicidade mecânica da CG 125 permitiu que ela rodasse por quilômetros com mínima manutenção. Isso tornou a moto perfeita para o uso diário em todas as regiões do Brasil.
Veja os principais motivos do sucesso absoluto:
- Consumo excepcional: As versões carburadas faziam entre 30 a 40 km/l, enquanto modelos bem regulados superavam essa marca facilmente
- Custo de manutenção ínfimo: Peças abundantes no mercado e mecânica simples garantem reparos acessíveis até hoje
- Valor de revenda: Modelos antigos dos anos 80 e 90 variam entre R$ 3.000 a R$ 7.000, sendo procurados por colecionadores
- Isenção de IPVA: Versões mais antigas possuem isenção do imposto em diversos estados brasileiros
A Honda também inovou ao lançar em 1981 a primeira moto do mundo movida a álcool. Essa versão da CG 125 marcou a história mundial do motociclismo.
Yamaha RD 135: pura adrenalina sobre duas rodas
Se a CG 125 representava economia e confiabilidade, a Yamaha RD 135 era sinônimo de velocidade e emoção. Lançada em 1987, ela trazia o explosivo motor dois tempos para as ruas brasileiras.
Com 16 cavalos de potência (18 cv na versão RD 135Z), a pequena Yamaha deixava para trás qualquer rival quatro tempos da mesma cilindrada. O ronco característico e a aceleração instantânea conquistavam na primeira acelerada.
O motor dois tempos era a alma da RD 135. A resposta imediata ao acelerador criava uma sensação única que os fãs descrevem como incomparável.
Produzida até o ano 2000, a RD 135 encerrou sua trajetória por causa das normas ambientais mais rígidas. Os motores dois tempos foram banidos do uso urbano no Brasil.
Mesmo assim, a RD permanece viva em encontros de clássicos, competições amadoras e no coração dos apaixonados por velocidade. Seu cheiro de óleo dois tempos desperta nostalgia em milhares de brasileiros.

O que torna a RD 135 uma lenda até hoje?
A Yamaha RD 135 conquistou seu espaço entre os jovens da época por características que nenhuma outra moto nacional oferecia. Seu DNA esportivo vinha do termo “Race Developed”.
Confira o que mantém a RD 135 no imaginário brasileiro:
- Desempenho superior: Aceleração explosiva que superava facilmente as motos quatro tempos, arrancando de 0 a 100 km/h com impressionante rapidez
- Preparação facilitada: O motor dois tempos permitia modificações simples que aumentavam drasticamente a potência da moto
- Design marcante: A versão RD 135Z trazia carenagem exclusiva, freio a disco dianteiro e grafismos diferenciados que até hoje chamam atenção
- Presença em competições: Continua sendo usada em arrancadas, provas de regularidade e eventos de motos clássicas pelo Brasil
O consumo mais elevado (cerca de 24 km/l) e a necessidade de misturar óleo dois tempos no combustível nunca foram problemas para os verdadeiros fãs. A emoção de pilotar compensava qualquer inconveniente.
Hoje, exemplares conservados da RD 135 são disputados por colecionadores. Manter uma funcionando exige dedicação, pois mecânicos especializados em motores dois tempos são cada vez mais raros.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)