FBI associou missa católica a “terrorismo” e tentou espionar padres e fieis
Documento interno citava críticas ao aborto como "supremacia branca" e sugeria infiltração em confissões
Um memorando do FBI de 2023, sob o comando de Christopher Wray (foto), que veio a público recentemente, afirmava falsamente que católicos tradicionalistas seriam potenciais terroristas. O episódio gerou reação imediata no Congresso e entre lideranças religiosas.
O próprio relatório recomendava “desenvolver fontes com posicionamento e acesso” dentro das paróquias. Na prática, infiltrar espiões.
O documento mandava que agentes procurassem líderes de igrejas católicas tradicionalistas para convencê-los a vigiar os próprios fiéis. A ideia era que padres denunciassem à polícia qualquer comportamento considerado “suspeito”.
O relatório chegou a mirar diretamente um sacerdote da Sociedade São Pio X.
O motivo foi a recusa em quebrar o sigilo de confissão. A resposta da agência foi rastrear seus planos de viagem, cruzar dados de cartão de crédito e acionar o escritório de Londres quando ele saiu do país. O caso transformou a defesa do sacramento em pretexto para monitoramento policial e espionagem.
Outro trecho do documento dizia que “o aumento da hostilidade em direção aos defensores do aborto nas redes sociais (…) demonstrava a convergência contínua do movimento nacionalista branco e católicos tradicionalistas radicais”. Em outras palavras, manifestar oposição ao aborto foi usado como indício de “supremacia branca”.
O que o documento omite é que a Planned Parenthood, hoje a maior provedora de abortos dos Estados Unidos nasceu de um projeto racista.
Criada por Margaret Sanger, uma militante que defendia abertamente a eugenia, a organização nasceu ligada a projetos de “controle populacional” que miravam explicitamente negros. Décadas depois, a instituição construiu uma relação umbilical com o Partido Democrata, que garante seu financiamento e utiliza seu poder como braço de mobilização política.
O movimento pró-vida, que se opõe à Planned Parenthood, é justamente o que denuncia há anos o impacto desproporcional dos abortos sobre a população negra e pobre. Ao equiparar a defesa da vida ao “supremacismo branco”, o FBI inverteu completamente a realidade.
As fontes
O documento citava relatórios do Southern Poverty Law Center (SPLC), organização de esquerda qie transformou o rótulo de “grupos de ódio” numa indústria, além da revista progressista The Atlantic.
Em 2018, o SPLC foi condenado a indenizar Maajid Nawaz em US$ 3,3 milhões por listá-lo falsamente como extremista. Ex-funcionários relataram uma cultura de assédio e discriminação, além de manipulação de dados para justificar arrecadações milionárias.
Apesar disso, o FBI distribuiu o memorando a mais de mil agentes, espalhando instruções baseadas em conceitos vagos e acusações sem provas.
O inspetor-geral do Departamento de Justiça concluiu que o memorando carecia de base factual e que a associação entre católicos tradicionalistas e terrorismo não tinha qualquer sustentação.
O próprio FBI reconheceu falhas, retirou o documento, abriu sindicâncias internas e promoveu demissões.
A direção atual da agência afirmou que reforçou regras de conduta e treinamentos para impedir que crenças religiosas voltem a ser tratadas como ameaça à segurança nacional.
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