Petro demite diplomatas na China por ‘sabotagem’ e afronta os EUA
Presidente colombiano ordena retirada de todo o corpo da embaixada em Pequim; sindicato reage e Departamento de Estado americano revoga visto
Gustavo Petro determinou a retirada de todos os diplomatas da embaixada da Colômbia em Pequim, acusando os servidores de “sabotar” a aproximação com a China.
A decisão foi anunciada em reunião ministerial em Bogotá. Segundo o presidente, membros da missão teriam alterado agendas e cancelado compromissos sem autorização. Ele ordenou à chanceler Rosa Villavicencio a substituição imediata do corpo diplomático.
O chefe de Estado, classificado por adversários e parte da imprensa internacional como de extrema esquerda, declarou: “Há um ministério que tem vergonha de se relacionar com a China e que sabota as relações. Toda essa gente tem que sair”. O Palácio de Nariño não divulgou nomes nem prazos para recomposição da missão em Pequim.
Petro ampliou o ataque à diplomacia de carreira e disse: “Todos os embaixadores, que eu chamo de brancos, porque foram criados na diplomacia feudal, vão sair”. Ele citou a Constituição colombiana para sustentar que cabe ao presidente dirigir a política externa. Até o fechamento deste texto, a chancelaria não havia oficializado as exonerações.
O sindicato dos trabalhadores do Ministério das Relações Exteriores reagiu com carta de protesto. A entidade defendeu a carreira diplomática, destacou o ingresso por concurso público e disse não compreender a acusação de “diplomacia feudal”. O documento cobrou respeito a critérios técnicos nas nomeações.
A ordem ocorre após a guinada de Bogotá em direção a Pequim.
Em maio, Petro assinou com Xi Jinping a entrada da Colômbia na Iniciativa do Cinturão e Rota, projeto chinês de infraestrutura global.
Em setembro, chegou ao país o primeiro trem fabricado na China para a Linha 1 do metrô de Bogotá, dentro de acordos bilaterais.
O episódio expõe o afastamento dos Estados Unidos. O Departamento de Estado anunciou a revogação do visto de Petro por “ações irresponsáveis e incendiárias” em Nova York.
Durante a Assembleia-Geral da ONU, ele participou de ato pró-Palestina e conclamou militares americanos a desobedecer ordens do presidente dos Estados Unidos. A chancelaria colombiana classificou a medida como “arma diplomática”.
A ministra Rosa Villavicencio afirmou ter “renunciado” ao próprio visto em protesto. Aliados do governo manifestaram apoio ao presidente. Não houve confirmação de novas sanções por parte de Washington até a publicação desta reportagem.
No plano interno, Petro enfrenta investigação preliminar da câmara dos deputados após denúncias do ex-chanceler Álvaro Leyva.
O ex-ministro acusa o presidente de condutas irregulares e pede exames médicos. Petro nega e fala em perseguição política. A Comissão de Acusações ainda não apresentou prazos.
O governo chinês ainda não comentou oficialmente a decisão de Petro. Analistas ouvidos por universidades colombianas avaliam que mudanças bruscas em postos-chave podem atrasar negociações técnicas e prejudicar o cronograma de projetos.
A presidência afirma buscar “relações com todos os povos” e reduzir dependência dos Estados Unidos.
A oposição acusa Petro de aparelhamento e de enfraquecer a carreira diplomática.
Sem possibilidade de reeleição em 2026, o presidente intensifica sua agenda internacional no último ano e meio de mandato.
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Comentários (1)
Ita
03.10.2025 14:55IiiiiiiiHH!!! A Colômbia também está indo pro brejo? ou já foi? Ah! e o brejo não é a China.