“Chega de homens de saia”: Trump e Hegseth pregam “ethos guerreiro” aos generais
O presidente americano e seu Ministro da Guerra reuniram os mais altos oficiais militares para denunciar o "lixo ideológico tóxico" do governo anterior
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Peter Brian Hegseth, convocou os oficiais de mais alto escalão do exército americano ao quartel-general em Quantico, localizado ao sul de Washington, D.C., onde fez um discurso.
Trump subiu ao palco logo após Hegseth e comentou sobre o silêncio no ambiente: “Nunca entrei em um lugar tão silencioso. Se você não gosta do que eu digo, pode sair. Mas saiba que perderá seu posto e sua carreira”. Os generais e almirantes presentes reagiram com risadas, interpretando a declaração como uma piada.
Em seu discurso de 40 minutos diante de uma grande bandeira americana, Hegseth foi direto: “Se as palavras que compartilho hoje causarem temor no coração, façam o honroso e renunciem”.
Nos meses anteriores, a administração já havia promovido demissões significativas entre altos oficiais militares e Hegseth anunciou a intenção de realizar mais mudanças.
Recentemente, a administração dos EUA alterou a nomenclatura do Departamento de Defesa para Ministério da Guerra, com Hegseth assumindo o título de Ministro da Guerra.
Essa mudança representa um símbolo do novo foco em recuperar a eficácia militar americana e reverter anos de deterioração, segundo o secretário.
Hegseth criticou a promoção de oficiais com base em critérios como gênero ou raça em vez de mérito.
Ele afirmou que o departamento havia se transformado em um “Departamento Woke” e enfatizou que sua administração desde o primeiro dia removeu o “lixo ideológico tóxico” que afetava negativamente suas operações.
Ele afirmou que as pessoas trans não deveriam servir nas Forças Armadas: “Nada de homens vestidos de saia”, prometeu Hegseth. “Sem divisões ou distrações relacionadas ao gênero; estamos cansados disso”.
“Ethos guerreiro”
Os conceitos abordados por Hegseth ecoam as ideias apresentadas em seu livro “A Guerra Contra os Guerreiros”, onde ele defende que as forças armadas americanas devem retornar a um “ethos guerreiro” para garantir vitórias em conflitos futuros.
Parte dessa mudança envolve a reavaliação dos testes físicos aplicados aos recrutas, com Hegseth afirmando que aqueles que não atendem aos padrões não devem fazer parte das unidades de combate.
Ele também criticou a presença de líderes acima do peso no Pentágono: “É completamente inaceitável ver generais e almirantes obesos nas dependências do nosso ministério”.
Além disso, ele pretende revisar o conceito de “liderança tóxica”, afirmando que os oficiais não podem ter medo da correção política ao agir. Segundo ele: “Precisamos de líderes agressivos e dispostos a correr riscos”.
Hegseth já havia expressado preocupações sobre regulamentos excessivamente restritivos para tropas em combate e reafirmou essa visão durante seu discurso.
“Não lutamos com regras estúpidas. Damos liberdade aos nossos guerreiros”. Em sua visão, defesa é sempre uma reação; “lutamos para vencer. Enfrentamos nossos inimigos com força esmagadora”.
Discurso de Trump
Enquanto isso, Trump se distanciou das questões puramente militares e utilizou sua fala para transmitir mensagens políticas amplas durante mais de uma hora.
Ele alternou entre tópicos como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio até sua política migratória e medidas tarifárias, assim como o uso da Guarda Nacional no combate ao crime nas cidades americanas.
O presidente se referiu à luta contra um “inimigo interno”: “Deveríamos usar algumas dessas cidades perigosas como campo de treinamento para nosso exército”.
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