Lucas Bove é indiciado por ameaças contra Cíntia Chagas
Polícia Civil reuniu áudios, mensagens e testemunhos que apontam perseguição e violência psicológica
A Polícia Civil de São Paulo indiciou o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por ameaça, perseguição e violência psicológica contra a ex-esposa, a influenciadora digital Cíntia Chagas.
O inquérito foi concluído em 15 de setembro pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher e enviado à Justiça.
O relatório de 60 páginas reuniu mensagens, áudios e testemunhos que, segundo a delegada Dannyella Gomes Pinheiro, comprovam que Bove ameaçava a ex-mulher e tentava controlar sua carreira.
O deputado teria dito que acabaria com a reputação da influenciadora caso ela não aceitasse contratos com cláusulas consideradas abusivas.
Mesmo após a separação, Bove manteve contatos insistentes e chegou a usar terceiros para se aproximar da ex-esposa, o que a polícia classificou como perseguição.
“Restou plenamente provado que Lucas Diez Bove praticou os crimes previstos nos artigos 147-A e 147-B do Código Penal, no âmbito da Lei Maria da Penha”, afirmou a delegada.
Cíntia confirmou o indiciamento em suas redes sociais. Ela disse que a decisão representa uma vitória também para outras mulheres vítimas de violência doméstica.
Em entrevista à TV Globo, a influenciadora afirmou: “Um praticante recorrente de violência contra mulheres jamais poderia legislar como deputado”.
A defesa do parlamentar nega todas as acusações.
Em nota, os advogados afirmaram que não houve agressão física e acusaram a ex-esposa de manipular a verdade. Também criticaram o que chamam de “vazamentos” de informações em um processo que tramita sob sigilo.
O próprio deputado declarou anteriormente que “jamais encostaria a mão para agredir uma mulher”.
O inquérito não incluiu lesão corporal. A polícia disse não ter conseguido comprovar se as marcas apresentadas pela vítima eram resultado de agressões físicas. Já a advogada de Cíntia, Gabriela Manssur, afirmou esperar que o Ministério Público também apresente denúncia por violência física.
O caso começou em setembro de 2024, quando Cíntia registrou boletim de ocorrência e obteve medida protetiva.
O casal teve um relacionamento de dois anos e um casamento na Itália que durou apenas três meses. Em agosto de 2025, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo arquivou, por 6 votos a 1, o pedido de cassação do deputado.
O Ministério Público deve decidir agora se oferece denúncia criminal com base no inquérito.
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