ONU reimpõe sanções ao Irã por violar obrigações nucleares
Desde que EUA deixaram acordo em 2016, o país intensificou atividades nucleares proibidas
A ONU vai reimpor sanções econômicas e militares ao Irã a partir deste domingo, 28, em resposta ao programa nuclear do país. A decisão ocorre após tentativas de última hora na diplomacia internacional fracassarem durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.
As medidas, aplicadas por meio do mecanismo de “snapback” previsto no acordo nuclear de 2015, congelam ativos iranianos no exterior, suspendem acordos de armas e penalizam desenvolvimentos de mísseis balísticos.
A ação coincide com uma grave crise econômica no país, que enfrenta recorde de baixa em sua moeda e alta nos preços de alimentos básicos.
O retorno das sanções foi decidido após Reino Unido, França e Alemanha acusarem Teerã de descumprir compromissos nucleares. A tentativa de China e Rússia de prorrogar a validade do acordo por seis meses foi rejeitada pelo Conselho de Segurança, com apenas quatro dos 15 membros apoiando a proposta.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, questionou a legalidade da decisão e criticou os países que a impulsionaram:
“Ao ignorar fatos, espalhar falsas alegações, deturpar o programa pacífico do Irã e bloquear a diplomacia, eles… abriram caminho para uma escalada perigosa. A diplomacia nunca morrerá, mas será mais difícil e mais complicada do que antes.”
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (foto), disse que o país não tem intenção de desenvolver armas nucleares e classificou as sanções como “injustas, ilegítimas e ilegais”. Afirmou ainda que a medida dificulta negociações e exigiu garantias de que suas instalações não seriam atacadas por Israel para retomar o enriquecimento nuclear.
Desde que os EUA deixaram o acordo em 2016, o Irã intensificou atividades nucleares proibidas.
Em junho, bombardeios dos EUA e Israel atingiram instalações nucleares e bases militares iranianas, numa tentativa de reverter o progresso do programa e punir Teerã por apoiar grupos regionais que atacam Israel.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou a retomada das inspeções em instalações nucleares, após suspensão motivada pelos bombardeios. No entanto, o Irã não permitiu acesso completo nem forneceu relatórios sobre seu estoque de urânio enriquecido.
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