Otan reforça vigilância após incidente com drones na Dinamarca
Aeronaves não tripuladas foram vistas dentro e fora da maior base militar do país
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou neste sábado, 27, que vai “reforçar ainda mais a vigilância com novos recursos na região do Mar Báltico” depois de uma série de incidentes envolvendo drones não identificados na Dinamarca.
Segundo comunicado, a aliança militar acrescentará “plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de ao menos uma fragata de defesa aérea”.
Os novos recursos se somarão à missão “Sentinela do Báltico”, criada em janeiro em resposta a danos registrados em cabos de energia, conexões de telecomunicações e gasodutos no fundo do mar. O objetivo é ampliar a proteção de infraestruturas consideradas estratégicas da região.
Base aérea e aeroportos
O Ministério da Defesa da Dinamarca informou que drones suspeitos foram avistados em diferentes pontos do país, incluindo a Base Aérea de Karup, a maior instalação militar dinamarquesa.
A polícia confirmou que aeronaves não tripuladas foram vistas dentro e fora da base na noite de sexta-feira, 26.
A repetição de episódios tem alarmado as autoridades. Ao longo da semana, pelo menos cinco aeroportos civis e militares foram fechados temporariamente após incursões. O Aeroporto de Copenhague chegou a interromper voos por várias horas.
Para o ministro da Justiça dinamarquês, Peter Hummelgaard, o objetivo das ações é claro: “espalhar medo, criar divisão e nos amedrontar”. Ele disse ainda que o governo pretende propor leis que autorizem donos de infraestrutura a abater drones em situações de risco.
Rússia
A Otan também lançou neste mês a missão “Sentinela do Leste”, voltada ao reforço do flanco oriental europeu em meio a incursões de drones russos no espaço aéreo da Polônia. O movimento amplia a pressão diplomática contra Moscou.
Na Alemanha, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que a ameaça é “alta” e defendeu mudanças legais para permitir que as Forças Armadas abatam drones em determinadas circunstâncias.
“O que estamos testemunhando é uma corrida armamentista – uma corrida entre ameaças de drones e a defesa contra drones. Precisamos nos preparar para isso”, disse.
Já a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi mais direta:
“Há um país principal que representa uma ameaça à segurança da Europa, e esse país é a Rússia.”
Moscou nega envolvimento e classificou a reação da União Europeia como “histeria”.
Apesar da falta de provas conclusivas, o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou que os voos parecem ser “obra de um ator profissional”. O governo anunciou que vai adquirir “armas de precisão de longo alcance” pela primeira vez para enfrentar a escalada de ameaças.
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