Por que a Gol desistiu da fusão com Azul?
Mercado pareceu celebrar o fim da fusão entre Gol e Azul, com ações subindo. Mas por que a união não foi para frente?
No fim das negociações entre Gol e Azul, parece ter ficado clara a interpretação por parte do grupo controlador da Gol que a falta de engajamento da Azul era um sinal de que o processo já não fazia mais sentido.
A Gol anunciou formalmente o fim das tratativas hoje, alegando que não houve “discussões significativas” nos últimos meses, o que remeteria ao fato de que a Azul está concentrada na sua própria reestruturação financeira e no processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Na Bolsa de Valores, a notícia provocou reações forte para as duas, com as ações da Gol disparando mais de 7% e da Azul ainda mais, cerca de 16%, refletindo uma expectativa de que cada empresa seguiria por caminhos independentes e que os riscos regulatórios à fusão, que muitos antecipavam, foram evitados.
A disputa trouxe preocupações de coordenação de preços no setor aéreo brasileiro, já muito condensado, com o Cade já investigando possíveis práticas anticoncorrenciais entre Gol, Azul e Latam.
A Gol rescindiu também o acordo de codeshare com a Azul, que buscava ampliar a oferta de destinos integrados pelas duas. A companhia comunicou que manterá os bilhetes já emitidos sob esse regime, mas passará a operar de modo autônomo em suas rotas.
O fim desse pacto indica que as duas empresas voltam a competir de forma mais direta no mercado doméstico.
A razão para o fracasso da fusão não foi revelada por nenhuma das duas partes, mas pode residir no alto custo financeiro para a Azul, em meio à sua concentração no processo de recuperação judicial, que consumiu recursos gerenciais e operacionais.
A demora e o desalinhamento de prioridades entre as duas criaram um vácuo nos esforços de negociação, sinalizando, segundo a Gol, fragilidade no engajamento da outra parte.
Além disso, ainda haveria alguns outros custos técnicos com essa integração, já que Gol opera apenas aparelhos da Boeing, enquanto a Azul utiliza Airbus e Embraer, o que dificultaria sinergias em relação à integração de equipes e manutenção de aeronaves.
No seu balanço do segundo trimestre desse ano, a Azul teve lucro líquido de 1,29 bilhão de reais, enquanto a Gol teve prejuízo de 1,5 bilhão no mesmo período, mas saiu da recuperação judicial no começo de junho.
Juntas, Latam, Gol e Azul dominam 99,6% do mercado de voos domésticos, com participação de 41,1% para a sucessora da TAM, 30,1% para a dona dos aviões brancos e laranja, e 28,4% para a companhia que agora está em recuperação judicial.
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