Kamala Harris revela pressão para declarar falsa vitória de Biden em debate
Ex-vice-presidente diz em livro que rejeitou ordem da campanha e focou em confrontar falas de Trump
Kamala Harris afirmou no livro “107 Dias” ter recusado a orientação da campanha democrata para dizer que “Joe Biden venceu” o primeiro debate presidencial de 2024.
A ex-vice-presidente relata que recebeu o material logo após o confronto de quinta, 27, em Atlanta, e reagiu jogando o papel sobre a mesa. A obra foi lançada nos Estados Unidos na terça, 23, segundo a editora Simon & Schuster.
De acordo com o relato, entre os tópicos havia uma folha destacada com a frase “JOE BIDEN WON”, em letras maiúsculas, além de instruções para atribuir eventuais falhas a um resfriado do então presidente.
Harris escreve que a equipe ligou em seguida cobrando que repetisse a mensagem em entrevistas.
Ela narra ter rejeitado a pressão: “Não me deem bullshit”, registra, usando o termo em inglês para “conversa fiada”.
Harris descreve o debate como uma noite de oportunidades perdidas por Biden, com frases interrompidas e perda de raciocínio, enquanto Donald Trump “usava as palavras como arma” e disseminava inverdades, na avaliação dela.
A ex-vice-presidente afirma conhecer os pontos de política pública que Biden tentava apresentar, mas diz que eles não ficaram claros ao público. O clima interno, segundo o livro, foi de tensão na campanha.
No texto, Harris relata o momento em que Biden, ao fim de uma resposta confusa, disse “We finally beat Medicare” (“Enfim vencemos o Medicare”). Ela escreve que Trump respondeu: “Ele está certo. Ele venceu o Medicare. Venceu até a morte.”
O episódio é apresentado como ponto de inflexão negativo, citado por assessores que monitoravam reações online naquela noite.
A autora afirma que a equipe acompanhou em tempo real descrições como “desastre”, “trem descarrilado” e “constrangimento” sobre o desempenho do então presidente.
Harris relata que doadores e aliados também pressionaram por mudanças.
Em um dos episódios narrados, o diretor Rob Reiner teria cobrado, em evento privado, que a campanha evitasse uma derrota democrata, ao discutir o tema com Doug Emhoff, marido de Harris.
Ao narrar a entrevista que concedeu logo após o debate, Harris diz ter decidido não dizer aos eleitores “que seus olhos mentiram”.
Em vez disso, sustenta ter centrado as respostas em checar falas de Trump, citando o 6 de janeiro, o respeito ao resultado eleitoral e os direitos reprodutivos.
Segundo ela e a gravação exibida pela CNN (Cable News Network), a prioridade foi recolocar “substância” no centro da disputa, não “pontos de estilo”.
“107 Days” reconstrói os 107 dias entre a retirada de Biden da campanha, no domingo, 21 de julho de 2024, e a votação de novembro daquele ano.
Segundo a Simon & Schuster, a obra percorre decisões estratégicas, dilemas públicos e fraturas internas enfrentadas por Harris ao assumir a cabeça da chapa democrata.
O gabinete do ex-presidente é citado em episódios de tensão, mas a narrativa se baseia sobretudo em registros e memórias da própria autora.
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