Inflação prévia volta a subir: IPCA-15 atinge 0,48%
Com alta em habitação e energia elétrica e recuo em alimentos e transportes, o IPCA-15 atingiu 0,48% em setembro
A prévia da inflação oficial brasileira registrou em setembro uma alta de 0,48%, segundo dados do IBGE e corroborados pela mídia especializada, revertendo a deflação de 0,14% observada em agosto.
Esse movimento do IPCA-15 mostra uma inflação que volta a ganhar fôlego, ainda que de forma modesta, em um momento em que o mercado monitora atentamente os núcleos e como a política monetária do BC vai reagir.
O resultado ficou abaixo das expectativas médias (0,51%), indicando certa folga em comparação às leituras mais pessimistas.
A recomposição dos preços no setor de habitação foi o vetor principal dessa aceleração. O grupo registrou alta de 3,31%, gerando impacto de cerca de 0,50 ponto percentual no índice de setembro, puxado pela reversão do bônus temporário de Itaipu na conta de luz e pela introdução da bandeira vermelha nível 2.
Outros fatores como reajustes em água, esgoto e gás também ajudaram a reforçar a pressão na inflação.
No contraponto, dois grupos se destacaram com comportamento adverso: alimentação e transportes registraram variações negativas de − 0,35% e − 0,25%, respectivamente.
No caso da alimentação, a deflação já era esperada e refletiu boa oferta de hortifrútis e proteínas, embora a intensidade da queda tenha perdido dinamismo.
Em transportes, o destaque ficou por conta da forte queda nos seguros de veículos e no recuo de passagens aéreas, que ofuscaram reajustes em tarifas de táxi regionais.
Outros segmentos mostraram pressões moderadas: vestuário avançou 0,97%, incentivado pelo repasse de novas coleções e menor presença de liquidações.
Saúde e cuidados pessoais subiu 0,36% e despesas pessoais aumentaram 0,20%, evidenciando alguma reflação em itens diversos.
Por trás dessa dinâmica setorial, os núcleos de inflação destoaram: o núcleo intensivo em mão de obra ficou em 0,49%, praticamente em linha com o esperado, enquanto o núcleo de serviços recuou para 0,04%, bem abaixo das projeções do mercado.
O mercado reagiu com cautela ao número de inflação, e o Ibovespa Futuro abriu em queda, enquanto o dólar recuava ao mesmo tempo em que os investidores digeriam o dado e aguardavam a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central.
“Apesar da reflação em habitação, transportes e vestuário, a fraqueza dos serviços subjacentes marcou o dado, puxada por itens específicos que superaram as expectativas em queda. Portanto, o alívio veio de onde o mercado menos esperava.”, avaliou Jason Vieira, economista Chefe da Lev Intelligence, que reajustou sua estimativa para o IPCA mensal (fechado) de 0,63% para 0,59%.
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