Estátua humana de 11 mil anos é achada em parede na Turquia
Peça rara pode ter sido oferenda em templo pré-histórico; governo turco prevê novas áreas de visitação ainda este ano
Arqueólogos anunciaram nesta segunda, 22, a descoberta de uma estátua humana de aproximadamente 11,5 mil anos embutida em uma parede no sudeste da Turquia.
O achado ocorreu em um dos templos monumentais mais antigos conhecidos e foi divulgado pelo ministro da Cultura e Turismo turco, Mehmet Nuri Ersoy, durante cerimônia de apresentação das obras de restauração.
A peça foi encontrada entre duas estruturas circulares, conhecidas como Estrutura B e Estrutura D, com cabeça e torso preservados, mas sem os pés.
Pesquisadores afirmam que a posição horizontal dentro da parede indica que a deposição foi intencional e não parte da construção.
O ministério avalia que se trata de uma oferenda, o que reforça o caráter simbólico do local.
Representações humanas são incomuns nesse templo, que ganhou notoriedade por pilares de calcário em formato de “T” decorados com relevos de animais como raposas, javalis e serpentes.
O novo achado amplia a interpretação sobre a religiosidade do período e sugere que a imagem humana também ocupava espaço relevante na iconografia ritual. Ersoy destacou que exemplares semelhantes já haviam sido localizados em Karahan Tepe, outro sítio arqueológico da mesma tradição.
A descoberta foi acompanhada de anúncio sobre avanços nas obras de conservação.
A Estrutura C, a maior do conjunto, teve paredes reforçadas e pilares recolocados em suas posições originais, com uso de argamassa produzida com pelo de cabra para reproduzir técnicas pré-históricas.
A medida busca conter a degradação provocada por variações de temperatura e vento.
O governo também prepara infraestrutura para visitantes, incluindo centro de recepção, estacionamentos e passarelas.
Segundo o Ministério da Cultura e Turismo turco, parte dessas instalações deve ser entregue ainda em 2025. Em agosto, o coordenador do Projeto Taş Tepeler, professor Necmi Karul, afirmou que o sítio “revelará uma nova face” até o fim de setembro, após restaurações. Autoridades, porém, reconhecem que nem todas as obras podem estar concluídas nesse prazo.
Descoberto nos anos 1990 pelo arqueólogo alemão Klaus Schmidt, o complexo mudou a compreensão sobre o início da vida social organizada.
Datado do período entre 9600 e 8000 a.C., ele indica que práticas religiosas coletivas antecederam a agricultura e os assentamentos permanentes.
A estátua recém-achada reforça essa visão ao acrescentar novos elementos sobre a cosmologia e os rituais de comunidades que viveram no início do Holoceno.
Pesquisadores agora buscam determinar se a ausência dos pés resulta de dano ao longo do tempo ou de uma escolha simbólica dos construtores.
A posição horizontal entre duas das principais estruturas será central para entender o significado da peça.
O ministério turco informou que análises laboratoriais e estudos comparativos com achados de outros sítios do mesmo horizonte cultural estão em andamento, e que os resultados serão divulgados gradualmente.
A nova descoberta confirma que o sítio ainda guarda informações decisivas sobre a religiosidade e a organização social das primeiras comunidades do mundo.
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