PEC da Blindagem é “uma indecência, desnecessária”, diz deputado
Luiz Carlos Hauly contrariou orientação do bloco partidário e foi um dos poucos deputados do Podemos a votar contra proposta
Um dos três deputados do Podemos que votaram contra a chamada PEC da Blindagem, Luiz Carlos Hauly classificou a proposta como uma “indecência” e disse esperar que o Senado tenha “mais juízo” do que a Câmara ao analisá-la.
O parlamentar concedeu entrevista a O Antagonista e a Crusoé nesta semana, após a aprovação do texto pelo plenário da Casa Baixa.
Nos dois turnos de votação da PEC, 17 deputados do Podemos participaram. Do total, 14 votaram a favor do texto. Somente Hauly, Gilson Daniel (ES) e Ruy Carneiro (PB) foram contra. Eles contrariaram a orientação da liderança do bloco partidário do qual a sigla faz parte, que havia defendido o voto “sim”.
“O Congresso mais uma vez legislou contra o interesse da nação. O povo brasileiro está sem paciência com os congressistas, com os políticos, e o Parlamento deu munição maior ainda para a população ficar com mais raiva dele. Essa PEC é uma indecência, desnecessária”, afirmou Hauly.
“Estou aqui há mais de 30 anos, estou no oitavo mandato. Cheguei aqui em 1991 combatendo o governo do [Fernando] Collor, porque era um governo corrupto, incompetente. Liderei o impeachment dele, liderei a aprovação do Plano Real contra a maior oposição que tinha neste país, que era a do PT, durante dez anos, fui oposição ao governo Lula 1 e 2, ao governo de Dilma [Rousseff], liderei o impeachment dela, e nunca tive problema com a Justiça”.
Hauly ainda chamou a PEC de “danosa”, “perniciosa” e contrária ao interesse público. “O Parlamento é o poder do povo. O parlamentar, deputado, senador, não precisa ter medo do povo nem da Justiça”.
A Proposta de Emenda à Constituição chegou ao Senado na noite de quarta-feira, 17, quando foi encaminhada pela Mesa Diretora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)