Post incentivando violência foi a gota d’água, diz Nunes sobre Sustenidos
Empresa responsável pela administração do Theatro Municipal se recusou a demitir funcionário após publicação sobre morte de Charlie Kirk
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou neste sábado, 20, que iniciou o processo de rescisão do contrato com a Sustenidos, organização social responsável pela administração do Complexo Theatro Municipal. O convênio é de R$ 565,3 milhões e a entidade terá 15 dias para recorrer da decisão.
Segundo Nunes, três fatores motivaram o rompimento: notificações recorrentes do Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre irregularidades no contrato, um pedido assinado por 28 vereadores para encerrar o convênio e a recusa da Sustenidos em desligar um funcionário que se manifestou sobre a morte do ativista conservador Charlie Kirk, assassinado nos Estados Unidos.
“Já havia uma série de problemas com o Tribunal de Contas, mas a postagem de um colaborador incentivando a violência foi a gota d’água. Solicitamos que a organização demitisse a pessoa, mas ela não o fez. Portanto, pactuou com esse comportamento. E quem pactua com violência não serve para prestar serviço à Prefeitura”, afirmou o prefeito.
O funcionário citado é Pedro Guida, gestor de elenco da Sustenidos, que escreveu em rede social que “não se deve chorar por trumpista” e compartilhou vídeo de um influenciador dizendo que o americano mereceu morrer porque era nazista.
Post sobre Charlie Kirk
O movimento pela demissão de Pedro Guida começou após uma publicação do cineasta e escritor Josias Teófilo no X, em 12 de setembro.
“Pedro Guida, que faz gestão de elenco para o Theatro Municipal de São Paulo sob gestão da Sustenidos, acabou de compartilhar um vídeo dizendo que Charlie Kirk mereceu morrer porque era um nazista. Sabe quem paga o salário desse cara? Nós, os contribuintes. Obrigado mais uma vez, prefeito Ricardo Nunes, por manter essas pessoas na gestão do Theatro Municipal“, escreveu Teófilo.
Mais tarde, no Instagram, Pedro Guida tentou se desculpar.
“Um compartilhamento meu em um story gerou uma impressão totalmente equivocada sobre os meus valores e o que eu defendo. De forma nenhuma eu comemoraria a morte de alguém, muito menos por forma violenta, tendo eu mesmo já perdido parentes e amigos em situações de violência“, escreveu Guida.
Decisões do TCM
O TCM já havia determinado em 2023 a abertura de um novo edital para selecionar a gestora do Theatro Municipal e, nesta sexta, 19, deu prazo de 48 horas para que a prefeitura prestasse informações sobre o andamento do chamamento público.
A administração informou que fará um contrato emergencial para garantir a continuidade das atividades até a conclusão da nova licitação.
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