PF prende 17 e bloqueia R$ 18 milhões por roubo de cargas em SP
Mandados saíram da Vara de Garantias de Sorocaba; PF em Campinas e Gaeco de Sorocaba atribuem ao grupo 26 roubos e um furto entre 2024 e 2025
A Polícia Federal deflagrou na manhã de quarta, 17, a Operação No Rest para desarticular uma associação criminosa dedicada a roubos de cargas e caminhões no estado de São Paulo.
A ação cumpriu 17 mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão e determinou o sequestro de cerca de R$ 18 milhões em bens ligados aos investigados, segundo nota da corporação publicada às 7h48 (horário de Brasília).
De acordo com a Polícia Federal, 120 agentes participaram da operação, sendo 60 policiais federais e 60 policiais militares rodoviários.
Os mandados foram expedidos pela vara de garantias da comarca de Sorocaba e executados em cidades do interior e da Grande São Paulo. A corporação afirma que os presos serão ouvidos e que os materiais apreendidos subsidiarão a continuidade do inquérito.
A investigação é conduzida pela Delegacia da PF em Campinas, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba.
O inquérito começou em janeiro de 2025, após um roubo registrado em 29 de novembro de 2024. Segundo a PF, as diligências identificaram uma rede criminosa armada responsável por arregimentar autores, planejar abordagens e dar vazão aos veículos e às cargas subtraídas.
O modus operandi descrito pela PF aponta que os assaltantes interceptavam caminhões em movimento ou aproveitavam momentos de repouso dos motoristas em áreas de descanso.
As vítimas eram rendidas sob ameaça de arma de fogo e mantidas em cativeiro até a destinação dos veículos. Nesse período, o grupo praticava extorsões com exigência de transferências bancárias e subtração de documentos, celulares e outros bens pessoais.
Entre novembro de 2024 e junho de 2025, a PF atribui à associação criminosa 26 roubos e um furto em cidades paulistas como Araras, Boituva, Itapecerica da Serra, Itatiba, Itu, Itupeva, Jundiaí, Porto Feliz, Quadra, Salto, São Bernardo do Campo, São Lourenço da Serra, São Paulo e Sorocaba, além de Extrema, em Minas Gerais.
Um galpão em Mogi Guaçu era usado para o desmanche dos veículos, conforme a corporação.
A Polícia Federal informou que a No Rest integra uma linha de operações voltadas ao combate de quadrilhas de roubo de cargas.
Desde 2021, o grupo especializado da PF responsável por esse tipo de crime já realizou mais de 300 prisões em ações como Rapina, Insídia, Malta, Caterva, Malta II, Volvere, Cicônia, Aboiz, Cacaria Barrière, Vitreum, Ladinos, Hammare e Baiuca.
A corporação afirma que o objetivo é reduzir a capacidade operacional das organizações e interromper fluxos financeiros ilícitos.
O setor de transporte rodoviário classifica o roubo de cargas como problema recorrente na Grande São Paulo.
Segundo levantamento do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), foram registradas 3.494 ocorrências em 2024 nos 50 municípios representados pela entidade.
A PF sustenta que o sequestro de valores e bens na No Rest busca justamente atingir a estrutura patrimonial das quadrilhas e desestimular novas investidas.
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